Tesouro cancela agenda de leilões da semana e Fazenda avalia nova recompra de títulos para estabilizar mercado

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O Tesouro Nacional anulou todos os leilões de títulos públicos programados para esta semana, uma medida estratégica para navegar a intensa volatilidade no mercado financeiro observada após o resultado da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paralelamente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou a possibilidade de uma nova intervenção via recompra de papéis ainda nesta terça-feira, buscando restaurar a ordem e a liquidez.

A decisão de suspender as ofertas foi progressiva. Na segunda-feira (26), já haviam sido cancelados os leilões de títulos prefixados e indexados à inflação. A agenda de terça-feira (27) completou o cancelamento, com a retirada da oferta de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), atreladas à taxa Selic, que estava prevista para hoje.

Durigan enfatizou a disposição do governo em atuar para conter os efeitos da turbulência. “Hoje a gente pode, sim, ter nova recompra de títulos do Tesouro”, afirmou o ministro, revelando ter autorizado o secretário do Tesouro a proceder com a operação caso as condições e necessidades assim o indiquem.

A medida não seria inédita. O Tesouro já havia realizado uma operação de recompra de cerca de R$ 10 bilhões em títulos públicos na segunda-feira. O objetivo, segundo Durigan, foi precisamente o de oferecer liquidez ao mercado e auxiliar no restabelecimento de um ambiente de negociação mais equilibrado diante da acentuada oscilação dos preços dos ativos.

Enquanto os leilões tradicionais representam o mecanismo pelo qual o governo capta recursos emitindo novos títulos, as operações de recompra permitem ao Tesouro readquirir papéis já em posse de investidores. Essa estratégia oferece uma alternativa de venda em cenários de maior instabilidade, injetando liquidez e mitigando dificuldades de negociação.

Analisando a movimentação do mercado, o ministro da Fazenda caracterizou a forte reação negativa observada na segunda-feira como um ajuste de posições por parte dos investidores, e não como uma resposta a fundamentos econômicos. “A reação de ontem é uma reação mais de posição… não é de fundamento”, explicou Durigan, destacando que o dia subsequente apresentou um ambiente significativamente mais calmo.

Durigan assegurou que tanto o Tesouro Nacional quanto o Banco Central monitoraram o mercado desde as primeiras horas do pregão, visando garantir condições adequadas de negociação. O ministro esclareceu que a intenção do governo não é fixar preços para indicadores como o dólar ou o Ibovespa, mas sim prevenir movimentos desordenados que possam comprometer o bom funcionamento do sistema financeiro.

Para o ministro, é natural que uma significativa alteração nas posições de mercado gere algum desarranjo. No entanto, ressaltou que o diálogo com o mercado tem sido técnico e voltado para restabelecer parâmetros de racionalidade. “Tanto que ficou num patamar mais alto, por exemplo, o câmbio. Mas já dentro de uma racionalidade de mercado”, pontuou.

Os cancelamentos dos leilões e a prospecção de novas recompras ocorrem em um momento de maior aversão ao risco, onde os investidores tendem a exigir taxas de juros mais elevadas para financiar a dívida pública. Ao suspender as emissões, o Tesouro evita captar recursos em condições desfavoráveis, enquanto as recompras contribuem para aprimorar a liquidez e facilitar a negociação dos títulos.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/tesouro-cancela-todos-os-leiloes-da-semana-durigan-ve-ajuste-de-posicoes-e-fala-em-nova-intervencao-jcav/