BTG Pactual Aponta Gerdau como Escolha Defensiva em Meio a Juros Altos e Real Desvalorizado

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O BTG Pactual está aconselhando investidores a buscar proteção em empresas exportadoras de materiais básicos, em um contexto de juros elevados persistentes, desvalorização do real e aumento da percepção de risco no mercado brasileiro. A instituição financeira destaca a Gerdau (GGBR4) como uma das principais apostas defensivas, beneficiada por suas receitas dolarizadas e menor dependência da economia nacional.

De acordo com o relatório do banco, a crescente necessidade de resguardo para as carteiras de investimento favorece companhias com significativa exposição a moedas estrangeiras em suas receitas, custos operacionais relevantes em reais e uma menor ligação à dinâmica econômica doméstica. Essa estratégia é recomendada mesmo diante de um panorama ainda desafiador para commodities como minério de ferro e aço, que enfrentam pressões globais.

Entre as companhias analisadas, a Gerdau se sobressai pela sua forte presença no mercado norte-americano. Aproximadamente 76% do Ebitda da empresa é gerado na América do Norte, o que a torna “efetivamente um negócio exposto ao dólar”, segundo o BTG Pactual. Essa diversificação geográfica, aliada a um balanço financeiro robusto – com dívida líquida equivalente a apenas 0,6 vez o Ebitda e um perfil de crédito com grau de investimento –, mitiga o impacto direto de uma eventual piora das condições econômicas brasileiras em seus resultados consolidados. A empresa também possui exposição limitada à dívida indexada ao CDI, reduzindo sua sensibilidade à Selic em patamares elevados.

Apesar de o setor siderúrgico brasileiro continuar sob pressão, devido à demanda fraca e à concorrência de importações – com margens de Ebitda domésticas próximas a mínimas históricas –, a estrutura global da Gerdau permite que ela se posicione como uma opção atrativa. O relatório do BTG Pactual ainda aponta métricas de valuation favoráveis, como uma avaliação abaixo de quatro vezes o Ebitda projetado para 2027 e um rendimento de fluxo de caixa ligeiramente superior a 10%, reforçando sua atratividade relativa.

Já a análise da Vale (VALE3) é mais complexa. Embora a mineradora se beneficie da baixa exposição à demanda doméstica e de receitas vinculadas ao dólar – onde um real mais fraco impulsiona a rentabilidade, visto que seus custos são majoritariamente em moeda local –, a empresa segue vulnerável às oscilações do mercado global de minério de ferro. Preços em torno de US$ 90 por tonelada, custos de frete elevados e desafios operacionais no Sistema Norte geram incertezas, levando o BTG a ver risco de revisões negativas nas estimativas de resultados a valores de spot atuais. No entanto, a desvalorização do real pode atenuar esses efeitos, com uma depreciação de 10% do câmbio podendo elevar o Ebitda da Vale entre 7% e 8%.

Ainda que o banco não a posicione entre as escolhas preferenciais, a recente correção dos papéis da Vale equilibrou a relação risco-retorno. O relatório também menciona que o baixo posicionamento dos investidores na ação pode gerar espaço para uma recuperação, impulsionada por movimentos de recompra de posições vendidas, ou short covering.

Em contraste, a CSN (CSNA3) apresenta uma situação distinta, com maior vulnerabilidade às condições de financiamento e aos juros domésticos. O BTG Pactual a lista entre as exceções de sua cobertura com mais relevante exposição ao mercado de crédito local. Diferente de grandes exportadoras como Vale e Gerdau, que acessam mercados internacionais de dívida a custos mais competitivos, a CSN é mais sensível à Selic e às condições internas de capital. Essa característica, em um cenário de juros altos prolongados, eleva a importância da qualidade do balanço e do custo de financiamento como fatores-chave para diferenciar as empresas do setor.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/necessidade-de-hedge-voltou-gerdau-ggbr4-aparece-entre-as-favoritas-do-btg-para-cenario-desafiador-da-bolsa-apsa/