Frustração Comercial EUA-China Pressiona Preços de Grãos em Chicago

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Os mercados futuros de grãos em Chicago registraram uma quinta-feira (14) de quedas significativas, impulsionados pela crescente frustração em relação às negociações comerciais entre Estados Unidos e China. A expectativa de um aumento substancial nas compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos não se concretizou, reverberando negativamente nas cotações da soja, do milho e, em menor grau, do trigo, evidenciando a sensibilidade do setor agrícola às tensões geopolíticas.

A Desilusão com a Soja e as Expectativas Frustradas

Os contratos futuros da soja, principal produto agrícola exportado pelos EUA para a China, lideraram as perdas no pregão de Chicago, fechando em baixa de 36,50 centavos, a US$11,925 por bushel. A principal causa foi o esvaziamento das esperanças de que a China, maior importadora mundial, sinalizasse um compromisso adicional de compra de suprimentos norte-americanos. Antes da cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, havia divergências entre operadores e analistas; enquanto alguns esperavam um aumento nas metas de compra estabelecidas em outubro do ano anterior, outros já previam que não haveria novas promessas significativas.

O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já havia declarado que "a soja já está resolvida", referindo-se a um acordo de compra existente, o que contribuiu para diminuir as expectativas por novos anúncios. Essa percepção foi corroborada por especialistas como Rich Nelson, estrategista-chefe da Allendale, que observou que "Eles não precisam dos EUA neste momento", refletindo a autossuficiência ou alternativas chinesas. Apesar de um relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicar a venda de 252.000 toneladas métricas de soja para destinos não especificados, a notícia das negociações comerciais dominou o sentimento do mercado.

O Milho e o Vento Contrários do Efeito China

O milho também foi fortemente afetado pela decepção comercial, registrando uma queda de 13,25 centavos, para US$ 4,675 por bushel. A falta de um avanço nas negociações entre EUA e China suplantou as esperanças de um aumento na demanda, apesar de notícias positivas no front doméstico. No dia anterior, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou uma legislação que permite a venda de gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano em todo o país, uma vitória significativa para os produtores de biocombustíveis, que veriam maior demanda por milho.

No entanto, o otimismo gerado pela potencial maior demanda por etanol foi rapidamente ofuscado pela ausência de um novo acordo comercial substancial com a China. Kevin Stockard, corretor de commodities da CHS Hedging, resumiu a situação: "A falta de um novo acordo comercial com a China está acabando com a festa do E15 do milho". A expectativa de que a China pudesse expandir suas importações para incluir mais milho, sorgo, trigo, carne bovina e aves, conforme especulado por alguns operadores antes da cúpula, não se materializou, exacerbando a pressão sobre as cotações.

O Trigo sob o Efeito da Seca e Tensões Climáticas

No mercado de trigo, a quinta-feira também foi de retração, com os contratos futuros fechando em queda de 17,50 centavos, a US$6,58 por bushel. Contudo, essa baixa ocorreu após um período de valorização que levou o cereal aos níveis mais altos desde outubro de 2024, impulsionado por intensas preocupações com a seca em regiões produtoras dos EUA. Relatos do Conselho de Qualidade do Trigo, após uma turnê anual, indicaram que o potencial de produção no Kansas, um dos principais estados produtores, deve atingir o menor patamar em três anos, com uma média de 38,9 bushels por acre. Esse fator climático, embora distinto das tensões comerciais, contribuiu para a volatilidade geral do setor agrícola.

Perspectivas do Mercado e Conclusão

Em suma, o dia em Chicago evidenciou a profunda interconexão entre as políticas comerciais globais e a dinâmica dos mercados de commodities agrícolas. A ausência de um avanço significativo nas negociações entre EUA e China frustrou as expectativas por um aumento nas exportações agrícolas americanas, resultando em quedas generalizadas. Embora fatores internos, como a legislação do E15, e questões climáticas, como a seca no trigo, tenham oferecido impulsos pontuais, a sombra da incerteza comercial prevaleceu. A vigilância sobre futuras rodadas de negociação e os relatórios de safra continuará a ser crucial para a formação dos preços no setor.

Fonte: https://www.infomoney.com.br