A Secretaria de Saúde de São Paulo acendeu um alerta e reforçou as orientações para toda a sua rede de hospitais e clínicas. A medida visa preparar o estado para identificar, notificar e isolar possíveis casos de ebola. Mesmo com o risco de a doença chegar ao Brasil sendo considerado baixo, a iniciativa busca garantir que São Paulo, uma das principais portas de entrada de viajantes internacionais no país, esteja pronta para qualquer eventualidade.
Surtos na África Preocupam a Saúde Mundial
A preocupação ganha força com surtos ativos na República Democrática do Congo e em Uganda, na África. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já contabiliza quase 600 casos suspeitos e 139 mortes na região. Embora os números oficiais falem em 51 casos confirmados em províncias congolesas, a própria OMS admite que a escala real do surto pode ser muito maior.
Apesar do cenário internacional, a Secretaria de Saúde paulista avalia que o risco de o ebola chegar ao Brasil é baixo. Os motivos são claros: não há transmissão do vírus na América do Sul, inexistem voos diretos entre as áreas afetadas na África e o continente, e a transmissão da doença acontece apenas por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos de pessoas que já apresentam sintomas.
Mesmo assim, a orientação é para que os serviços de saúde fiquem atentos a qualquer pessoa com febre que tenha viajado, nos últimos 21 dias, para regiões onde o vírus está circulando. Essa atenção é uma forma de garantir a segurança de todos e proteger a saúde pública, impactando indiretamente a rotina de quem viaja ou convive com pessoas que chegam de outros países, inclusive em estados como Goiás, onde o fluxo aéreo também é considerável.
Como São Paulo Se Prepara para um Possível Caso
São Paulo não está apenas observando. O estado já conta com protocolos bem definidos, vigilância ativa e equipes treinadas para uma resposta rápida e segura. A ideia é identificar, notificar e atender qualquer caso suspeito de forma ágil, minimizando riscos para a população.
“São Paulo age de forma preventiva e mantém sua rede preparada. Por ser um grande polo de viajantes, temos protocolos, vigilância ativa, equipes capacitadas e unidades de referência para agir rápido”, explicou Regiane de Paula, coordenadora de Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças, reforçando o compromisso com a saúde dos moradores e visitantes.
Se surgir um caso suspeito no estado, a notificação deve ser imediata à Vigilância Epidemiológica municipal e estadual. A remoção de pacientes, se necessária, será feita pelo Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências e Emergências (GRAU), e o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital, é a referência para o atendimento.
Sintomas do Ebola e a Busca por Tratamento
A doença pode aparecer de repente, com febre alta, dor de cabeça forte, dores musculares, cansaço, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em situações mais graves, o paciente pode ter hemorragias, choque e falência de múltiplos órgãos. O tempo entre a contaminação e o aparecimento dos primeiros sintomas varia de dois a 21 dias.
Atualmente, a situação é complexa quanto ao tratamento. Não existem vacinas ou terapias específicas aprovadas para a cepa atual de ebola, conhecida como Bundibugyo, que está causando os surtos na África. As vacinas e tratamentos disponíveis foram desenvolvidos para a cepa Zaire e, até o momento, não têm eficácia comprovada contra essa nova variante.



