A semana promete ser agitada para a economia brasileira, e a decisão sobre os juros no país, a famosa Selic, está diretamente ligada a um dado crucial que será divulgado nos próximos dias. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2024, que será conhecido na sexta-feira (29), é visto como o "teste definitivo" para definir os próximos passos do Banco Central em relação à taxa básica de juros, que influencia desde o financiamento da casa própria até o crédito do supermercado.
Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o desempenho da economia nos primeiros meses do ano será um sinal claro para o Banco Central avaliar se o país pode continuar a cortar a Selic, que hoje está em 10,75% ao ano. Se a economia mostrar um crescimento muito forte, pode haver risco de inflação, dificultando novos cortes. Já um crescimento mais fraco pode abrir espaço para uma redução mais acelerada dos juros, o que pode aliviar o bolso de famílias e empresas, inclusive as de Goiás.
De olho na inflação e empregos
Mas o PIB não é o único número importante. Antes dele, outros dois indicadores serão divulgados e também entrarão na conta do Banco Central. Nesta terça-feira (26), sai o IPCA-15, uma prévia da inflação oficial, que dá o tom sobre a variação de preços de produtos e serviços que afeta diretamente o poder de compra dos brasileiros. Na quarta (27), é a vez do Caged, que mostra o saldo de empregos formais criados no país, um termômetro importante da saúde do mercado de trabalho e da capacidade das pessoas em Goiânia e no interior de encontrar trabalho.
Pressão de fora
O cenário internacional também adiciona uma camada de complexidade. O preço do petróleo, que já se aproxima dos 100 dólares o barril, é uma preocupação, pois impacta o custo dos combustíveis e, consequentemente, o transporte e a inflação no geral. Além disso, o Banco Central americano (o Federal Reserve) ainda não dá sinais de que vai baixar os juros por lá, o que mantém a pressão para que as taxas de juros no mundo todo continuem elevadas. Essa situação global dificulta a vida do Brasil para fazer cortes mais agressivos na Selic, já que isso poderia desvalorizar o real e aumentar a inflação.
Esses fatores combinados deixam o mercado em alerta. Na segunda-feira (25), por exemplo, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 0,81%, enquanto o dólar subiu e terminou o dia cotado a R$ 5,02. Para os cidadãos, sejam moradores de Goiânia ou de cidades do interior goiano, a decisão sobre a Selic tem um impacto direto: ela determina se o crédito para comprar um carro ou uma casa vai ficar mais caro ou mais barato, e também influencia os preços que vemos nas prateleiras dos supermercados.


