Mesmo com chances diminuindo, equipes de resgate conseguem retirar sobreviventes após mais de quatro dias soterrados; balanço de vítimas fatais cresce.
A Venezuela segue em uma corrida desesperada para encontrar sobreviventes em meio aos escombros dos terremotos que abalaram o país, com o balanço de mortos se aproximando de 1.500. Apesar do tempo exíguo, a esperança persiste com resgates emocionantes, como o de um homem retirado com vida após impressionantes 106 horas sob os destroços nesta segunda-feira (29).
O que aconteceu
O resgate desta segunda-feira é um dos mais recentes sinais de que, mesmo contra todas as probabilidades, a vida ainda pode ser encontrada. No domingo, equipes já haviam celebrado a retirada de um pai e seu filho dos escombros. No sábado, a emoção foi a de uma mãe e seu bebê de apenas 9 meses, que também sobreviveram à tragédia. Ao todo, somente no último fim de semana, 33 pessoas foram encontradas com vida.
Contudo, a realidade no terreno é sombria. O número oficial de quase 1.500 mortos ainda é provisório e deve aumentar. Tamara Ádrian, professora de direito na Universidade Central de Caracas, vivenciou a devastação de perto. Ela possuía um apartamento em um edifício na região costeira de Carabaleda, um dos locais mais afetados. “O prédio desabou completamente. Pessoas morreram por lá. Estimam-se, não se sabe o número exato, que cerca de 60 pessoas morreram naquele prédio”, relatou.
A situação é agravada pelos constantes tremores. Nesta segunda-feira (29), por volta das sete horas da manhã, um novo abalo sísmico de magnitude 4.2 na escala Richter foi sentido. Nos quatro dias que se seguiram aos dois principais terremotos de 24 de junho, foram registradas mais de 430 réplicas. A força da terra transformou a paisagem: quase 200 edifícios desabaram e mais de 700 construções tiveram suas estruturas físicas seriamente comprometidas.
Entenda o caso
Os terremotos de maior intensidade, ocorridos em 24 de junho, atingiram principalmente o estado de La Guaira, que se tornou o epicentro dos esforços de socorro. No domingo, a presidente interina, Delcy Rodríguez, visitou os acampamentos temporários montados para abrigar os desabrigados na região.
O cenário encontrado pelas equipes de resgate é de imensa dificuldade. O capitão César Tadeu, da Defesa Civil de São Paulo, parte da missão humanitária brasileira na Venezuela, descreveu a situação: “Há edifícios colapsados, infraestrutura comprometida e muitas dificuldades de acesso em algumas regiões.”
A solidariedade venezuelana se manifesta em grande escala: quase 8 mil voluntários se deslocaram de Caracas para La Guaira, somando esforços com as equipes profissionais para auxiliar nos resgates e no apoio à população.
Impacto para a população
Milhares de pessoas perderam suas casas e meios de subsistência, dependendo agora da ajuda humanitária para sobreviver. Os acampamentos temporários se tornaram o novo lar para muitos, que buscam abrigo e assistência em meio à incerteza. A destruição da infraestrutura básica, como estradas e edifícios, dificulta a chegada de suprimentos e o acesso a serviços essenciais, tornando a recuperação um desafio monumental.
Diante da escala da tragédia, a comunidade internacional mobilizou apoio. Nesta segunda-feira, a Comissão Europeia anunciou uma ajuda de cinco milhões de euros, além do envio de um avião transportando 50 toneladas de materiais de socorro. A China também informou que está enviando suprimentos emergenciais avaliados em quase 15 milhões de dólares, um alívio crucial para as vítimas e para os esforços de reconstrução.
Enquanto os resgates diminuem e a contagem de vítimas aumenta, a Venezuela enfrenta agora a árdua tarefa de cuidar dos sobreviventes, reconstruir cidades e superar o trauma deixado pelos terremotos. A solidariedade interna e o apoio internacional serão fundamentais para a recuperação de um país em luto.



