Iniciativa oferece R$ 2,5 mil e capacitação a microempreendedoras de Goiânia e Aparecida que enfrentam desafios para manter as contas em dia.
Cinquenta e duas mulheres microempreendedoras de Goiânia e Aparecida de Goiânia deram um passo importante em direção à estabilidade financeira e ao crescimento de seus negócios. Elas foram selecionadas para a segunda fase do projeto Energia Feminina, que oferece um aporte inicial de R$ 2,5 mil e consultoria especializada para impulsionar suas iniciativas em um estado onde quase 80% das empreendedoras individuais não se sentem financeiramente seguras.
O que aconteceu
As 52 participantes, divididas em três turmas nas duas maiores cidades de Goiás, já iniciaram as atividades da chamada fase de incubação. O foco inicial foi o desenvolvimento de planos de negócio, com orientações práticas sobre investimentos, definição de atividades, resultados e metas específicas para cada empreendimento. O programa, uma parceria entre o Instituto Equatorial e o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS), tem como objetivo central capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade social, promovendo autonomia financeira e inclusão produtiva.
Este é o primeiro ano que o projeto Energia Feminina chega a Goiás. Cada empreendedora receberá um aporte de R$ 2,5 mil, pago em duas parcelas. A primeira já foi efetuada este mês e a segunda será liberada ao final do projeto. Ao longo dos próximos três meses, as mulheres participarão semanalmente de workshops e rodas de conversa. As próximas oficinas já agendadas focarão em marketing e vendas, preparando as empreendedoras para uma feira de negócios final, onde apresentarão seus produtos e serviços.
Entenda o caso
A realidade das empreendedoras atendidas pelo programa reflete um desafio maior em Goiás. Dados do Sebrae mostram que 78% das microempreendedoras individuais (MEIs) no estado não conseguem uma situação financeira confortável. Dessas, 32% ainda não conseguem cobrir todas as despesas do negócio e 46% enfrentam dificuldades frequentes para manter as contas em dia. Apenas 18% alcançam estabilidade e lucro.
Apesar das adversidades, o empreendedorismo é a principal fonte de renda para 76% das famílias dessas mulheres. Em Goiás, o Sebrae contabiliza 374 mil empreendedoras, que representam 12% da população feminina em idade ativa. O perfil dessas mulheres revela que 53% se autodeclaram negras e a mesma proporção são as principais responsáveis pelo domicílio. Além disso, 38% trabalham no próprio lar, enfrentando a sobrecarga de conciliar tarefas domésticas e profissionais.
Impacto para a população
O impacto do projeto vai além do apoio financeiro, alcançando a gestão e a autoconfiança. A trajetória de Tayná Cristina da Silva, 43 anos, mãe solo de quatro filhas, ilustra essa transformação. Há nove anos, ela começou a vender bolos e salgados e hoje expandiu para uma lanchonete. Tayná relata que o projeto trouxe estabilidade: “Aprendi a separar o dinheiro de casa do dinheiro da lanchonete e a criar uma reserva para necessidades, algo que antes eu não conseguia fazer fluir”.
Outro exemplo é Josivane Lopes Ramos, 48 anos, que atua no ramo de papelaria personalizada. Professora de química por formação, ela encontrou no empreendedorismo a flexibilidade para cuidar de uma doença autoimune e da filha mais nova. Para Josivane, o programa foi uma “virada de chave”, oferecendo “solidez e um norte” que a tiraram de uma situação de incerteza. Segundo Cleusa Mascarenhas, coordenadora de projetos sociais do CIEDS em Goiás, o amadurecimento das participantes é notável, especialmente em comunicação e uso de ferramentas digitais, fortalecendo a percepção delas como empreendedoras.
Com o suporte do Energia Feminina, essas mulheres em Goiânia e Aparecida de Goiânia buscam não apenas superar as dificuldades financeiras, mas também construir um futuro mais autônomo e próspero para suas famílias e para a economia local.



