A FIFA tomou uma decisão controversa ao anular a suspensão por cartão vermelho do atacante americano Folarin Balogun, permitindo-lhe jogar contra a Bélgica pelas oitavas da Copa do Mundo de 2026.
A medida, divulgada neste domingo (5), horas antes do confronto decisivo em Seattle, gerou forte indignação por parte da comissão técnica e da federação belga, que questionam a lisura da competição e os princípios do fair play.
O que aconteceu
A liberação de Balogun caiu como uma bomba na delegação belga. O técnico Rudi Garcia não escondeu sua incredulidade e revolta. “Eu não sabia que na Copa do Mundo o dia 5 de julho é na verdade o 1º de abril. É brincadeira de 1º de abril”, ironizou Garcia em coletiva de imprensa, destacando a data da decisão e citando o Dia da Mentira. Ele complementou que a equipe não estava apenas defendendo a seleção, mas sim o futebol como um todo.
A Federação Belga de Futebol (RBFA) também se manifestou em um comunicado extenso, afirmando estar “atônita” com a decisão da FIFA. Para os belgas, a medida é uma quebra clara das regras que regem a expulsão de jogadores em campo.
Entenda o caso
O atacante Folarin Balogun havia sido expulso na partida das oitavas de final contra a Bósnia e Herzegovina, em 1º de julho, após pisar no zagueiro Tarik Muharemovic. De acordo com o Código Disciplinar da FIFA e o Regulamento da Competição da Copa do Mundo, um cartão vermelho direto ou indireto acarreta automaticamente a suspensão do jogo seguinte.
No entanto, o Comitê Disciplinar da FIFA surpreendeu ao anunciar a suspensão da punição. A entidade explicou que a decisão se baseia no artigo 27 de seu Código Disciplinar, que permite a suspensão da execução de uma sanção disciplinar imposta. Balogun terá um “período probatório de um ano”, no qual, se cometer nova infração semelhante, a suspensão original será reativada.
A Federação Belga, por sua vez, argumenta que a decisão contradiz diretamente o artigo 66.4 do mesmo Código Disciplinar, que estabelece a suspensão automática após um cartão vermelho, e também o artigo 10.5 do Regulamento da Competição. Além disso, a RBFA lembrou que a Circular nº 16 da Copa do Mundo de 2026, distribuída a todas as federações, e as reuniões de coordenação reiteram a regra da suspensão automática.
Do lado americano, a Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer) comemorou a resolução, afirmando estar satisfeita com a elegibilidade de Balogun e focada no jogo. O jornal USA Today noticiou que a US Soccer acompanhou de perto o processo para a absolvição do jogador.
Impacto para a competição
A controvérsia levanta sérias questões sobre a uniformidade e a aplicação das regras em torneios de grande porte como a Copa do Mundo. A Federação Belga ressaltou que, ao “salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do fair-play em nosso esporte”, está examinando todas as opções possíveis, indicando que o caso pode ter desdobramentos.
A suspensão automática de um jogador após expulsão é uma regra fundamental para garantir a igualdade de condições e a disciplina dentro de campo. A quebra dessa tradição em um estágio tão avançado da Copa do Mundo pode abrir precedentes e gerar insegurança jurídica para futuras edições e outras competições.
Com a polêmica em alta, o embate entre EUA e Bélgica, que já prometia ser eletrizante pelas oitavas de final, ganha agora uma camada extra de tensão e expectativa, com o mundo do futebol atento aos desdobramentos dentro e fora de campo.
Fonte: https://placar.com



