Mabel nega corte de árvores no Jardim Botânico e critica reportagem em Goiânia

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Prefeito Sandro Mabel (UB) contestou publicamente matéria que apontava impacto ambiental de intervenções na Alameda do Contorno.

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), veio a público na sexta-feira (17) para desmentir veementemente uma reportagem que alertava para a suposta retirada de árvores no Jardim Botânico, um dos principais pulmões verdes da capital, em decorrência de obras de melhoria do trânsito na Alameda do Contorno. A controvérsia gerou uma rápida resposta da prefeitura, que publicou uma nota de esclarecimento.

O que aconteceu

A matéria, veiculada na noite de quinta-feira (16) pelo jornal O Popular, indicava que intervenções viárias na região do Setor Pedro Ludovico aguardavam autorização da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), pois o projeto “afeta a área de preservação ao lado do Jardim Botânico e prevê a retirada de árvores”. Em resposta, Mabel demonstrou irritação na manhã de sexta-feira, afirmando que a informação era equivocada e que nenhuma árvore seria derrubada.

O prefeito sugeriu que a reportagem poderia se referir a algum projeto antigo ou estudos iniciais, mas garantiu que o planejamento atual não prevê interferência no Jardim Botânico, uma área de proteção ambiental rigorosa. Ele criticou a publicação por, segundo ele, divulgar informações negativas sem o devido aprofundamento. A Prefeitura reforçou a negativa em nota oficial, garantindo que as intervenções não causarão impacto ambiental no parque.

Entenda o caso

De acordo com Mabel e a Prefeitura, o projeto tem como foco principal melhorar a fluidez do trânsito na Alameda do Contorno, uma região com frequentes congestionamentos. As mudanças seriam pontuais e de baixo impacto, visando substituir duas rotatórias por binários e reorganizar o fluxo de veículos. O objetivo é desafogar as filas que se formam durante todo o dia, servindo como uma solução temporária enquanto se aguarda a construção de um viaduto na BR-153, reivindicado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Apesar da postura da prefeitura, o jornal O Popular havia apontado que, embora a Amma já tivesse se manifestado favoravelmente de forma preliminar ao projeto, o órgão exigia mais estudos detalhados de drenagem, um laudo técnico da vegetação e medidas mitigadoras antes de uma aprovação conclusiva. A Gerência do Jardim Botânico (Gerjab) teria emitido um alerta sobre a alta sensibilidade ambiental da área, indicando riscos de impermeabilização do solo, erosão, impacto na fauna e supressão de vegetação no entorno do parque.

A Gerjab, ainda segundo o jornal, destacou em parecer técnico que as intervenções propostas poderiam ter interferência direta ou indireta sobre áreas do Jardim Botânico, que é vital para a conservação da biodiversidade, proteção de recursos hídricos, pesquisa científica e educação ambiental. O projeto, ainda em fase de desenvolvimento, precisa ser alinhado com outros órgãos e entidades, como a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), a concessionária Triunfo Concebra (administradora da BR-153) e a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo Estratégico (Seplan).

Impacto para a população

A controvérsia coloca em xeque a balanceamento entre a necessidade de melhorias no trânsito de Goiânia e a preservação de uma de suas áreas verdes mais importantes. Para os motoristas e moradores que utilizam a Alameda do Contorno e o acesso ao Parque das Laranjeiras, a promessa é de um fluxo veicular mais eficiente e menos tempo parado em congestionamentos.

Por outro lado, a preocupação com o Jardim Botânico ressoa entre aqueles que valorizam o meio ambiente e a qualidade de vida na cidade. A integridade do parque é crucial não apenas para a biodiversidade local, mas também como espaço de lazer, pesquisa e educação ambiental para todos os goianienses. O desdobramento dessa questão exige transparência e garantias de que o desenvolvimento urbano caminhe lado a lado com a proteção ambiental.

A população de Goiânia aguarda que as autoridades esclareçam definitivamente o escopo do projeto, assegurando que as melhorias no tráfego não comprometam um patrimônio ambiental tão valioso para a cidade.

Fonte: https://diariodegoias.com.br