A ‘final’ à parte: Os jogos de terceiro lugar que marcaram a história das Copas do Mundo

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Longe de ser apenas uma disputa de consolação, a partida pelo bronze já foi palco de momentos épicos e feitos históricos para diversas seleções.

Apesar de ser frequentemente rotulada como “o jogo que ninguém quer jogar”, a disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo já entregou momentos de pura emoção e se consolidou na memória dos torcedores. Longe de ser apenas uma consolação, a partida que decide a medalha de bronze tem sido palco de grandes feitos, revelou artilheiros e marcou campanhas históricas para seleções que, mesmo sem o título, garantiram um lugar honroso no panteão do futebol mundial. Em 2022, por exemplo, a vitória da Croácia sobre o Marrocos consolidou um ciclo vitorioso para os europeus e viu a primeira seleção africana chegar tão longe na competição.

O que aconteceu

Ao longo das décadas, alguns confrontos pela terceira posição se destacaram, reescrevendo a percepção sobre a importância dessa etapa do Mundial. Desde a primeira grande campanha do Brasil até lances geniais e viradas emocionantes, a “outra final” tem sua própria galeria de recordações.

Brasil 4×2 Suécia (1938): Um dos primeiros grandes resultados da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, essa partida marcou o primeiro de muitos encontros históricos com a Suécia. Eliminado pela campeã Itália nas semifinais, o Brasil encarou uma Suécia que vinha de uma goleada. Com o placar desfavorável no primeiro tempo (2 a 0 para os suecos), a genialidade de Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, brilhou. Ele marcou duas vezes, liderando a virada para 4 a 2 e se tornando o artilheiro daquele Mundial, com sete gols.

Portugal 2×1 União Soviética (1966): Esta disputa de bronze é sinônimo da melhor campanha de uma seleção estreante em Copas, um feito que seria igualado apenas pela Croácia em 1998. Liderado por Eusébio, o artilheiro daquele Mundial, Portugal havia superado o Brasil e a surpreendente Coreia do Norte, parando apenas para os anfitriões ingleses na semifinal. A vitória sobre a poderosa União Soviética da época garantiu um histórico terceiro lugar.

Brasil 2×1 Itália (1978): A Copa de 1978 é lembrada por muitos brasileiros como o Mundial do “campeão moral”, termo cunhado pelo técnico Cláudio Coutinho, já que a Seleção foi a única a terminar invicta. No confronto pelo terceiro lugar contra a Itália, a Azzurra abriu o placar. Contudo, o lateral-direito Nelinho eternizou um golaço, um chute com efeito impressionante que superou o lendário goleiro Dino Zoff. Dirceu selou a vitória brasileira com outro arremate potente, garantindo a medalha de bronze.

Holanda 1×2 Croácia (1998): Na primeira participação da Croácia como nação independente em uma Copa do Mundo, a seleção surpreendeu o mundo. Após eliminar a Romênia e a poderosa Alemanha, a equipe do artilheiro Davor Šuker chegou a sonhar com a final, abrindo o placar na semifinal contra a França. Mesmo com a virada, superou na disputa pelo bronze a forte equipe da Holanda, que contava com nomes como Bergkamp, Kluivert e Davids, solidificando uma campanha de estreia memorável.

Coreia do Sul 2×3 Turquia (2002): Embora não seja das semifinais mais badaladas, o jogo pelo terceiro lugar de 2002 entrou para a história por um recorde: o gol mais rápido dos Mundiais. Aos 11 segundos de jogo, o turco Hakan Şükür aproveitou uma falha da defesa sul-coreana para balançar as redes. Esse gol relâmpago foi crucial na vitória por 3 a 2 da Turquia, garantindo à seleção europeia um inédito terceiro lugar.

Croácia 2×1 Marrocos (2022): Esta partida pelo bronze foi histórica por diversos motivos. Pela primeira vez, uma seleção africana disputava o terceiro lugar em uma Copa do Mundo, com o Marrocos surpreendendo a todos. Para a Croácia, então vice-campeã de 2018, a vitória confirmou a força do seu elenco e do seu ciclo vitorioso, liderado por Luka Modrić, provando que o sucesso anterior não foi obra do acaso.

Entenda o caso

Apesar da frustração de não alcançar a final, a disputa pelo terceiro lugar representa uma oportunidade de terminar o torneio com uma vitória, além de uma medalha e a consagração de uma campanha bem-sucedida. Para muitas seleções, alcançar essa posição significa o melhor resultado de sua história em Copas do Mundo, um feito que é celebrado com grande orgulho nacional. É a chance de um último grande espetáculo antes do encerramento do torneio, onde os jogadores podem se despedir com a cabeça erguida.

Impacto para a população

Para os torcedores, esses jogos pelo terceiro lugar não são meros detalhes nas estatísticas; eles se tornam parte da memória afetiva e da identidade futebolística de um país. Gols espetaculares, viradas inesperadas e campanhas heroicas geram orgulho nacional e são recontados por gerações. A performance nessas partidas pode elevar o status de jogadores a ídolos e consolidar o reconhecimento de uma seleção no cenário mundial, trazendo momentos de alegria e união para milhões de pessoas, mesmo que o sonho do título máximo não tenha se concretizado.

Assim, o que para alguns pode parecer uma disputa menor, revela-se, ao longo da história das Copas, um palco vibrante para momentos inesquecíveis, que comprovam que a paixão pelo futebol e o desejo de vitória transcende a busca pela taça dourada.

Fonte: https://placar.com