Consumidores em busca de veículos seminovos no Brasil podem encontrar um mercado com oferta reduzida. A Movida, uma das maiores locadoras de automóveis do país, implementou uma nova estratégia que resultou em uma diminuição de aproximadamente 25% nas vendas de seus carros usados no último trimestre, optando por manter esses veículos por mais tempo em sua frota de aluguel. Essa decisão, embora impulsionadora dos lucros da empresa, tende a apertar a disponibilidade de seminovos provenientes de grandes locadoras.
Os dados revelados no mais recente balanço da companhia evidenciam a mudança. No segundo trimestre de 2026, a divisão de seminovos da Movida comercializou 19.414 unidades, um contraste notável com as 25.917 unidades vendidas no mesmo período do ano anterior. Essa queda representa que, a cada quatro veículos que a locadora anteriormente destinava à venda, um deixou de ser ofertado ao mercado.
A redução na comercialização não se deve à falta de demanda por parte dos compradores, mas sim a uma escolha estratégica e deliberada da Movida. A empresa priorizou a alta procura por seus serviços de aluguel de carros (RAC). Em vez de retirar veículos da frota para venda, a locadora decidiu mantê-los em operação, gerando receita de aluguel, que é considerada mais vantajosa neste momento.
A solidez do segmento de locação fundamenta essa decisão. O volume de diárias de aluguel registrou um crescimento de 22% no segundo trimestre, enquanto a taxa de ocupação da frota avançou para 76,2%. Esses indicadores mostram que os carros da Movida passam mais tempo alugados, reforçando a rentabilidade da manutenção dos veículos em serviço.
Essa movimentação tem um impacto direto para quem busca adquirir um seminovo. As grandes locadoras são provedoras essenciais para o mercado de usados, oferecendo veículos relativamente novos, com histórico de manutenção transparente, a lojistas e consumidores finais. A diminuição da oferta por uma empresa do porte da Movida pode gerar menor disponibilidade de seminovos e, em um cenário de demanda constante, pressionar os preços para cima.
A estratégia reflete uma evolução na gestão da frota da Movida, alterando o ciclo de vida dos veículos dentro da companhia. Embora o volume de vendas tenha diminuído, a empresa conseguiu acelerar o giro do estoque de seminovos, passando de 0,5 para 0,8 vez ao mês, indicando que os carros disponibilizados são vendidos mais rapidamente. Paralelamente, a Movida tem investido na abertura de lojas próprias para seminovos, com o objetivo de que o varejo direto ao consumidor final represente, no futuro, ao menos metade de suas vendas.
Fonte original: https://garagem360.com.br/oferta-de-seminovos-pode-apertar-movida-corta-vendas-em-25-e-segura-carros-por-mais-tempo-na-frota/



