Decisão de Reciprocidade Brasileira: Mercado Reage, Mas Foco de Volatilidade Permanece no ‘Risco Brasil’

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A abertura de um processo de reciprocidade por parte do governo brasileiro em resposta às recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, divulgada na noite de quinta-feira (13), deve ter um impacto limitado sobre o Ibovespa (IBOV) e o mercado de câmbio, conforme avaliam especialistas do setor financeiro. Analistas enfatizam que a recente instabilidade observada nos ativos domésticos reflete, sobretudo, o que se convencionou chamar de “risco Brasil”, impulsionado por preocupações fiscais e o cenário eleitoral.

Na última sessão, o principal índice da Bolsa brasileira registrou uma queda de até 1,11%, atingindo 165.238,11 pontos, o menor patamar desde meados de janeiro de 2026. Contudo, esse movimento é amplamente interpretado como uma continuidade da digestão de incertezas por parte dos investidores, que já precificam riscos associados à política fiscal, ao ciclo de corte da Selic e à deterioração do crédito, fatores inclusive motivadores para o recente rebaixamento das ações brasileiras de “compra” para “neutra” pelo JP Morgan.

Para Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, a iniciativa brasileira não representa um agravamento da situação dos ativos, considerando que o mercado já enfrenta um cenário desafiador, com a notável saída de investidores estrangeiros. Ele ressalta que a notícia, embora não seja positiva, possui um efeito prático restrito no momento, visto que a abertura do processo ainda não se traduz em ações concretas, diferentemente do que ocorreu com o início da investigação norte-americana na Seção 301. Leal adiciona que uma reação mais contundente dos EUA, como um aumento de tarifas ou medidas diplomáticas extremas, poderia, sim, desencadear um impacto mais significativo.

Em consonância com essa visão, Silvio Campos Neto, sócio e economista-sênior da Tendências Consultoria, minimiza a ligação direta entre o desempenho negativo da bolsa e do câmbio na sexta-feira e o início do processo de reciprocidade. Ele observa que os ativos brasileiros já vinham de uma semana de perdas. O economista vê a medida como “mais um elemento que gera cautela”, mas reitera que os mercados já tendem a incorporar nos preços os riscos futuros relacionados às eleições e à questão fiscal.

Campos Neto avalia a decisão de reciprocidade como um gesto predominantemente protocolar, uma tentativa do Brasil de sinalizar que não aceitará passivamente as ações dos Estados Unidos. Contudo, ele pondera que o governo brasileiro provavelmente evitará retaliações mais agressivas, temendo consequências negativas para a própria economia, como o aumento de custos para empresas e consumidores. A estratégia, segundo ele, parece visar a criação de margem para negociações com Washington, em vez de escalar para uma “guerra comercial”.

No front do câmbio, o dólar à vista demonstrou pressão de alta, negociado em torno de R$ 5,2178 com um avanço de 0,48% por volta das 11h34 (horário de Brasília). A moeda norte-americana se encaminha para a quinta sessão consecutiva de valorização frente ao real, um movimento atribuído à baixa liquidez e à contínua saída de capital estrangeiro. Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, sugere que o processo de reciprocidade pode intensificar a percepção de um deterioramento nas relações diplomáticas bilaterais, elevando o risco de futuras medidas ou sanções por parte do governo norte-americano.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/lei-de-reciprocidade-contra-os-eua-que-impacto-essa-decisao-pode-ter-na-bolsa-e-no-dolar-confira-avaliacao-de-especialistas-apsa/