A maioria das bolsas de valores da Ásia e do Pacífico registrou perdas nesta terça-feira (18), com investidores reagindo à contínua escalada nos preços do petróleo e às crescentes preocupações com a inflação. O sentimento negativo superou os efeitos positivos de balanços corporativos robustos, destacando a vulnerabilidade regional aos choques energéticos. O índice japonês Nikkei liderou as quedas, sinalizando a cautela prevalente nos mercados.
Em Tóquio, o Nikkei sofreu um recuo significativo de 2,54%, encerrando o dia em 67.460,73 pontos. Outros mercados importantes também sentiram o impacto, como o Kospi sul-coreano, que cedeu 1,55% em Seul, para 6.869,83 pontos, no retorno de um feriado local. Em Taiwan, o índice Taiex registrou queda de 1,20%, fechando a 45.308,68 pontos.
Apesar do cenário majoritariamente negativo, algumas praças financeiras apresentaram resultados distintos. Em Hong Kong, o Hang Seng teve uma ligeira valorização de 0,07%, alcançando 25.471,15 pontos. Na China continental, o desempenho foi dividido: o Xangai Composto subiu 0,19% para 3.990,30 pontos, enquanto o índice Shenzhen Composto, que abrange um leque menor de empresas, registrou baixa de 0,45%, fixando-se em 2.635,34 pontos.
O avanço dos preços do petróleo desempenhou um papel central nas preocupações dos investidores. Após um breve período de alívio no mês anterior, impulsionado por expectativas de um cessar-fogo no Oriente Médio, as cotações voltaram a subir gradualmente. O prazo de 60 dias para um acordo definitivo de paz e uma solução para o programa nuclear iraniano entre Estados Unidos e Irã expirou sem sucesso, reacendendo temores. O petróleo Brent era negociado modestamente acima de US$ 91 por barril no fim da madrugada, alimentando a inflação persistente, um fator crítico para economias como a do Japão, quase inteiramente dependente da importação de energia.
Analistas apontam que resultados corporativos sólidos, tanto na Ásia quanto nos EUA, têm oferecido um contraponto aos temores inflacionários. Parte desse desempenho é atribuída à inteligência artificial, que tem ampliado a base de beneficiários de investimentos. Em um relatório da BofA Securities, Masashi Akutsu e Tetsuhiro Tokuyama destacaram que a demanda por IA se espalhou por diversos setores, incluindo equipamentos para semicondutores, energia, máquinas, componentes eletrônicos e materiais. Essa expansão tem efetivamente revelado empresas globalmente competitivas nesses segmentos, segundo os especialistas.
Na Oceania, a bolsa australiana fechou com leve baixa. O S&P/ASX 200 de Sydney registrou um recuo de 0,04%, encerrando o dia em 9.070,00 pontos. No entanto, a gigante da mineração BHP se destacou positivamente, com um salto de 2,7% em suas ações, impulsionada por um balanço financeiro superior às expectativas do mercado, exemplificando a complexidade do cenário atual.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/bolsas-da-asia-e-do-pacifico-recuam-com-petroleo-e-inflacao-nikkei-lidera-perdas-rens/



