Liderança Feminina no Agronegócio: Desafios e Caminhos para a Ampliação do Protagonismo

PUBLICIDADE

A primeira edição do A Protagonista Summit, realizada em São Paulo, reuniu mulheres, especialistas e representantes de empresas para debater estratégias e desafios na ampliação da presença feminina em posições de liderança e decisão no setor do agronegócio. O encontro na ESPM focou em traçar os caminhos para um maior protagonismo das mulheres no campo.

A discussão central evidenciou que, além da ocupação de cargos, é fundamental que a competência feminina seja plenamente reconhecida, como apontou a coordenadora de Administração da ESPM. Ela sublinhou a necessidade de união entre as mulheres para derrubar preconceitos e garantir que suas habilidades sejam valorizadas em pé de igualdade com qualquer outro profissional.

Para impulsionar esse avanço, as participantes do summit destacaram a construção de redes de apoio e a criação de conexões como pilares essenciais. Embora o progresso seja notável, histórias pessoais compartilhadas durante o evento revelaram a persistência de diversas barreiras. A diretora do Canal Rural, Jaqueline Silva, ressaltou que a discussão aberta desses problemas é o primeiro passo para encontrar soluções efetivas.

A fisioterapeuta da reserva do Exército Brasileiro, Silva Waiãpi, por sua vez, compartilhou uma mensagem de força e perseverança. Ela incentivou as mulheres a transformar os obstáculos em propulsores para o crescimento, reiterando que a resiliência é um fator chave para superar as adversidades.

O A Protagonista Summit não se limitou a discutir a ascensão a cargos de liderança, mas também a assegurar que as mulheres tenham voz ativa, reconhecimento e condições adequadas para manter sua trajetória de crescimento contínuo no agronegócio.

A complexidade da situação feminina no campo foi corroborada por dados do estudo “Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro”, conduzido pela Fundação IDH no âmbito do Fundo AGRI3. A pesquisa revelou que, apesar da crescente atuação feminina, barreiras significativas ainda limitam seu potencial.

Entre os obstáculos identificados, destacam-se a disparidade salarial, o acesso restrito à terra e a insuficiente representatividade em posições de liderança e em fóruns de decisão. Esses fatores continuam a frear o desenvolvimento pleno das mulheres no setor.

Em termos práticos, o estudo apontou que, das mais de 5 milhões de propriedades rurais no Brasil, 19% (equivalente a 947 mil) são gerenciadas por mulheres. Contudo, essa liderança feminina corresponde a apenas 8,5% da área rural total do país, somando cerca de 30 milhões de hectares, com uma concentração predominante em propriedades de menor porte, muitas delas oriundas de herança ou da agricultura familiar.

Fonte original: https://www.canalrural.com.br/agricultura/evento-debate-desafios-para-ampliar-presenca-feminina-na-lideranca-do-agro/