El Niño Ameaça Produtividade da Próxima Safra de Soja Brasileira, Avalia Executivo da Cofco

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A produtividade da próxima safra de soja do Brasil, cujo plantio está previsto para iniciar em meados do próximo mês, pode registrar uma redução em função dos efeitos do fenômeno climático El Niño. Apesar de uma expectativa de modesto crescimento na área cultivada para o ciclo 2026/27, o fator climático surge como principal preocupação.

A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira por Luiz Noto, CEO da divisão de Grãos e Oleaginosas da Cofco no Brasil, uma das maiores exportadoras de commodities agrícolas do país. Em entrevista à agência Reuters, Noto indicou que, embora a área de plantio possa expandir, a produção total da oleaginosa, da qual o Brasil é o maior produtor e exportador global, pode “talvez diminuir” devido ao impacto do clima na produtividade média nacional.

Segundo o executivo, o aumento da área cultivada para 2026/27 será “pequeno”, diferente dos crescimentos expressivos vistos nos últimos anos. Ele atribuiu essa desaceleração a menores margens de lucro para os produtores e a dificuldades financeiras agravadas por um cenário de crédito restrito. “O maior foco vai ser na questão de clima e produtividade para o ano que vem”, enfatizou Noto, confirmando a influência do El Niño.

Historicamente, o El Niño eleva o volume de chuvas na região Sul do Brasil, mas pode provocar períodos de seca e calor intenso no Centro-Norte do país, regiões cruciais para a produção de soja. A expectativa é de que essa condição climática afete diretamente a produtividade, mesmo com uma área maior de plantio.

A visão de Noto sobre o crescimento da área plantada encontra respaldo em alguns analistas do setor, embora outros consultores prevejam um pequeno aumento na produção geral. Mesmo com a possível queda na produtividade, o executivo da Cofco manifestou confiança de que a oferta brasileira será suficiente para atender tanto a demanda interna quanto as necessidades do mercado externo, sem detalhar projeções numéricas.

Na safra anterior, finalizada no primeiro semestre, o Brasil registrou um volume recorde de 180,5 milhões de toneladas de soja, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Desempenho da Cofco e Novo Terminal

Em um balanço inicial do escoamento da safra 2025/26, a Cofco registrou um “crescimento considerável” ao utilizar seu novo Terminal Export Cofco (TEC) no porto de Santos. A primeira fase do empreendimento tem capacidade para movimentar 12 milhões de toneladas anuais.

“Estamos extremamente satisfeitos… crescemos bastante no corredor Santos especificamente, não só em volume que vem via ferrovia do Mato Grosso, mas nós também crescemos em ‘market share’ nas regiões que são convergentes ao porto, especificamente Minas Gerais, Goiás e São Paulo”, detalhou Noto. Neste ano, a empresa já exportou soja, milho, açúcar e, mais recentemente, sorgo por meio do novo terminal, cujos volumes específicos não foram revelados.

A segunda fase do TEC, que elevará sua capacidade para 14,5 milhões de toneladas por ano, tem previsão de conclusão para outubro. A entrada de novos silos de armazenagem deve otimizar ainda mais a capacidade portuária, enquanto os dois berços de atracação já operam em plena capacidade.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/nova-safra-de-soja-do-brasil-pode-cair-um-pouco-com-el-nino-diz-executivo-da-cofco-pads/