Caixa vê estabilização na inadimplência rural e aposta em renegociações para melhoria

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A Caixa Econômica Federal assinalou uma redução no ritmo de crescimento da inadimplência em sua carteira de crédito rural, indicando um cenário de estabilização. Embora a taxa de atrasos por mais de 90 dias tenha alcançado patamares elevados no segundo trimestre, a instituição financeira manifesta otimismo quanto à reversão dessa trajetória, impulsionada por programas de renegociação de débitos.

No segundo trimestre deste ano, o percentual de créditos agrícolas com pagamentos vencidos há mais de 90 dias atingiu 20,74%. Esse indicador representa um avanço em relação aos 18,29% observados no trimestre anterior e um crescimento notável quando comparado aos 7,02% registrados no mesmo período de 2022, evidenciando uma forte escalada antes da recente estabilização.

Marcos Brasiliano Rosa, vice-presidente de finanças e controladoria do banco estatal, declarou na última quinta-feira (27) que o banco já percebe “uma estabilidade, com perda de velocidade” na curva de inadimplência do agronegócio. Adriano Assis Matias, vice-presidente de varejo, reforçou que a trajetória “inflexionou”, estabilizando-se na faixa dos 20%, com sinais de recuperação observados em junho e julho.

A expectativa da Caixa é de continuidade da melhora, em grande parte atribuída à implementação de um programa de reestruturação de dívidas rurais lançado recentemente pelo governo federal. A Medida Provisória (MP) nº 1.376 criou linhas de crédito especiais para auxiliar produtores e cooperativas que sofreram perdas devido a eventos climáticos ou instabilidades de mercado em duas ou mais safras, no período entre 2019 e 2025.

Além do setor rural, o banco também registrou benefícios em outras frentes. Matias destacou a importância do programa “Novo Desenrola” para a gestão da adimplência de pessoas físicas no crédito comercial, indicando que sem essa iniciativa, os resultados poderiam ter sido mais desfavoráveis. Carlos Vieira, presidente da Caixa, ressaltou que o segundo trimestre se apresentou como um período de grandes desafios para o mercado financeiro em particular.

Essas considerações foram feitas durante a apresentação dos resultados do banco, que na noite anterior havia divulgado um crescimento de 5,9% no lucro líquido recorrente do segundo trimestre, comparado ao mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito da Caixa também demonstrou uma expansão expressiva de quase 12%.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/caixa-ve-perda-da-velocidade-no-crescimento-da-inadimplencia-na-carteira-agro-pads/