Os juros futuros de curto e médio prazo registraram uma notável queda nesta quinta-feira (27), impulsionados por um ambiente doméstico mais otimista, evidenciado por dados de inflação favoráveis e o retorno do apetite de investidores internacionais pela bolsa brasileira.
A principal força motriz por trás do otimismo dos investidores foi a divulgação da prévia da inflação de agosto, o IPCA-15, que registrou uma deflação de 0,40%. Esse resultado superou as expectativas do mercado, que projetava uma queda de 0,30%, fortalecendo a percepção de que o Banco Central dispõe de margem para intensificar os cortes na taxa Selic. A corretora XP Investimentos, por exemplo, revisou para baixo sua projeção para a taxa básica de juros terminal em 2026, de 14% para 13,25%, sinalizando que as reduções podem não ser interrompidas.
Além disso, a bolsa de valores brasileira marcou sua sétima alta consecutiva, um indicador claro do retorno do capital estrangeiro ao mercado nacional, que contribuiu para o cenário de melhora. Este movimento de entrada de recursos externos reforça a confiança na economia local.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou o dia em 13,630%, uma baixa de quase 4 pontos-base em relação aos 13,668% do fechamento anterior. Similarmente, o DI para janeiro de 2029, que reflete o médio prazo, encerrou as negociações em 14,075%, com um recuo de 3,5 pontos-base ante os 14,118% do fechamento anterior. Em contraste, a taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, apresentou um avanço de 4,5 pontos-base, finalizando a 14,455%.
O mercado também acompanhou atentamente o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, cujo resultado foi interpretado como um sinal de demanda firme pelos papéis. Ian Lima, Diretor de Investimentos em Renda Fixa da Inter Asset, destacou que o desfecho positivo do certame gerou um “ânimo” no mercado, indicando a existência de forte procura e alívio da concentração de risco nos vencimentos de curto prazo, ligados à política monetária. Esse movimento técnico chegou a impulsionar a bolsa e o câmbio no início da tarde, invertendo o sinal da curva a termo.
No cenário internacional, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano apresentaram leves altas. O yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,234%, ligeiramente acima dos 4,224% do ajuste anterior. Já o retorno do título de 10 anos, referência para diversas modalidades de crédito, subia para 4,676%, partindo de 4,664%.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/juros-futuros-27-8-26-apsa/



