A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia anunciou que publicará, nesta quarta-feira (2), uma retificação na portaria que define a jornada de trabalho de médicos, odontologistas e enfermeiros da rede municipal. A decisão surge um dia após os médicos concursados aprovarem um indicativo de greve, sem data definida para a paralisação, em protesto contra as mudanças propostas pela gestão.
O cerne da controvérsia reside nas alterações da carga horária, conforme noticiado anteriormente. O secretário de Saúde, Luiz Pellizzer, havia se manifestado contra o posicionamento dos médicos, atribuindo o descontentamento ao absenteísmo. Em um dado momento, Pellizzer chegou a anunciar a suspensão das modificações que já haviam sido implementadas.
Contudo, a SMS confirmou na terça-feira (1º), por meio de suas redes sociais, a retificação da Portaria nº 550/2026. A pasta alega que a medida foi adotada seguindo o “entendimento construído durante as negociações com as entidades representativas dos profissionais”. No entanto, a Secretaria criticou o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), afirmando que a decisão foi mantida “mesmo diante do descumprimento do acordo verbal” por parte da entidade. A SMS garantiu que honrará os compromissos assumidos com os demais sindicatos – como o de Odontologistas (Soego) e o de Enfermeiros (Sieg) – e representantes que contribuíram para o diálogo, incluindo vereadores e a secretária municipal de Governo.
Segundo o informativo da SMS, a alteração normativa busca harmonizar as reivindicações dos profissionais com a necessidade de organização dos serviços, assegurar o cumprimento da jornada de trabalho e garantir a qualidade da assistência à população. A Secretaria reiterou seu compromisso com o diálogo contínuo com todas as categorias.
Por sua vez, o Simego informou que a assembleia geral extraordinária da última segunda-feira (31 de agosto) deliberou pelo indicativo de greve e pela manutenção de uma assembleia em caráter permanente. O sindicato esclareceu que o indicativo não configura uma deflagração imediata do movimento paredista, mas sim um alerta que prioriza a continuidade das negociações. A entidade condiciona quaisquer modificações nas modalidades de jornada à apresentação formal de uma tabela completa de horários pela Secretaria, solicitando que os médicos mantenham os horários habitualmente praticados até que essa formalização ocorra.
O Simego enfatiza a importância de que qualquer ajuste na organização das jornadas seja transparente e pactuado, considerando tanto as exigências da rede municipal quanto a realidade do trabalho médico e a continuidade do atendimento à população. A próxima reunião da assembleia está marcada para 8 de setembro, com possibilidade de antecipação caso haja novos fatos ou avanços nas tratativas.



