A incerteza política decorrente da corrida eleitoral no Brasil tem reconfigurado o cenário da bolsa, levando investidores a buscar refúgio em empresas com histórico de pagamento robusto de proventos. Enquanto o Ibovespa ensaiou uma recuperação notável em setembro, o Índice de Dividendos (IDIV) registrou queda em agosto, sinalizando uma dicotomia no comportamento do mercado. Diante desse panorama de maior volatilidade, as principais corretoras e casas de análise do país direcionam suas recomendações para companhias que demonstram previsibilidade na geração de caixa e na distribuição de lucros, blindando as carteiras contra as oscilações políticas.
A virada para setembro marcou uma mudança de humor no mercado, com a bolsa brasileira respondendo às projeções de uma disputa presidencial mais apertada. Esse cenário impulsionou o Ibovespa a patamares vistos pela última vez em maio, recuperando parte das perdas do mês anterior. Contudo, essa alta não se estendeu de forma equitativa às companhias preferidas para estratégias de dividendos, cujo índice específico recuou 1,65% em agosto. Analistas explicam que, em vez de perseguir o rali pontual, a estratégia prioritária agora é focar em empresas que oferecem retornos consistentes, independentes de uma reavaliação política.
Um levantamento junto a dez renomadas corretoras e casas de análise revelou as seis ações mais citadas para o mês, figurando em pelo menos cinco das carteiras analisadas. Nomes já conhecidos da lista de pagadoras de dividendos, como Petrobras, Allos e Axia Energia, dividem espaço com companhias como a Copel, que se destaca por suas receitas reguladas e menor suscetibilidade à inadimplência.
Destaques Individuais:
- Petrobras (PETR4)
Líder do ranking, presente em oito das dez carteiras, a estatal é elogiada pelo seu desempenho operacional consistente, com produção acumulada superando as expectativas, e pela forte capacidade de formação de preços, dado que grande parte de sua produção abastece suas próprias refinarias. O BTG Pactual projeta um dividend yield de 9% para 2027, enquanto o Santander elevou a recomendação para compra, com preço-alvo de R$ 60,00, estimando um retorno de cerca de 10% em 2026. A Terra Investimentos sublinha o lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, com a aprovação de R$ 17,4 bilhões em proventos. Para a Genial, a Petrobras personifica a filosofia das carteiras de dividendos, combinando altos retornos com uma avaliação que não se baseia apenas no crescimento. - Allos (ALOS3)
Com sete recomendações, a empresa de shoppings – que detém 45 dos 55 empreendimentos em seu portfólio – é considerada uma das apostas mais defensivas no setor imobiliário. O BTG Pactual ressalta a previsibilidade das receitas, os baixos níveis de vacância e inadimplência, e um dividend yield projetado próximo de 13%. O Santander reforça a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 38,50 e projeção de DY de 13,5% para 2026, destacando que a ação negocia a múltiplos atrativos. A XP aumentou o peso do papel em sua carteira, citando a avaliação favorável e a maior visibilidade do retorno ao acionista. - Axia Energia (AXIA3)
Antiga Eletrobras, a Axia Energia obteve sete indicações e figura como preferência no setor elétrico. O BTG Pactual argumenta que a expectativa de preços de energia mais elevados beneficia diretamente a companhia, dada a sua capacidade de venda de energia, e prevê um dividend yield médio de 10% entre 2027 e 2029. O Santander projeta um EBITDA de R$ 32,4 bilhões em 2026 e vê margem para a nova gestão otimizar custos. A Andbank aponta para a aprovação de um programa de recompra de ações no valor de R$ 3,7 bilhões, elevando o montante total para R$ 7,7 bilhões. - Itaú Unibanco (ITUB4)
O maior banco privado do país, com seis recomendações, é visto como a alternativa defensiva natural do setor financeiro. O BTG Pactual mantém o Itaú como sua principal escolha entre os bancos de grande capitalização, destacando a qualidade de seus ativos e o papel negociando a 7,6 vezes o lucro estimado para 2027. O Santander elegeu o Itaú como sua principal escolha no setor, com preço-alvo de R$ 51,00 para 2027, fundamentado em um lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre e um retorno sobre patrimônio de 24%. A Ágora Investimentos salienta que a rentabilidade superior e sustentável da instituição justifica seu prêmio de avaliação. - Vale (VALE3)
A gigante da mineração aparece em cinco carteiras. O BTG Pactual estima um retorno anual ao acionista entre 8% e 9%, considerando dividendos e recompras, e nota que a empresa negocia com um desconto expressivo em relação aos seus pares globais. A tese de crescimento da Vale também se mostra menos dependente do minério de ferro, com a ambição de alcançar 700 mil toneladas anuais de cobre até 2035. O Santander elevou sua projeção de preço do minério para 2026 para US$ 105 por tonelada, impulsionado pela oferta limitada e demanda resiliente. A Andbank destaca o forte fluxo de caixa livre de US$ 1,5 bilhão no segundo trimestre, equivalente a um yield anualizado de cerca de 10%. - Copel (CPLE3)
A elétrica paranaense fecha a lista das mais indicadas, com cinco recomendações. O Itaú BBA incluiu a Copel em sua carteira, esperando um dividend yield de aproximadamente 8% para o ano corrente, impulsionado pela sua atuação em geração, transmissão e distribuição, baixa alavancagem e a perspectiva de distribuições significativas. O BTG Pactual atribui essa evolução aos compromissos pós-privatização, com resultados notáveis da distribuidora e uma revisão tarifária mais favorável que o esperado. O Santander calcula uma taxa interna de retorno real de 10,4% e considera a nova política de dividendos como um pilar para um fluxo previsível de proventos, posicionando a empresa com baixo perfil de risco em um ambiente de volatilidade.
Fonte original: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/carteira-acoes-dividendos-setembro-2026/



