Ações de Dividendos: Especialistas Apontam Seis Papéis para Blindar Carteira em Cenário Eleitoral

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Com a instabilidade do cenário político ditando os rumos do mercado financeiro, investidores buscam refúgio em ativos que ofereçam previsibilidade. Embora a bolsa brasileira tenha demonstrado recuperação impulsionada por perspectivas eleitorais, o Índice de Dividendos (IDIV) registrou recuo, levando especialistas a priorizar empresas com forte geração de caixa e capacidade de distribuição de proventos. Seis ações emergem como as principais escolhas para blindar carteiras contra a volatilidade, segundo um levantamento de dez das principais casas de análise do país.

A virada para setembro marcou um período de reaquecimento para o Ibovespa, que recuperou parte das perdas anteriores e alcançou patamares vistos pela última vez em maio. Este movimento de alta foi alimentado por uma corrida presidencial mais acirrada, que estimulou a compra de ativos locais. Contudo, essa recuperação não se estendeu às estratégias focadas em dividendos, com o IDIV fechando agosto em queda de 1,65%. Diante disso, as corretoras e casas de análise consolidaram suas recomendações para o mês, reforçando a aposta em teses que não dependem de uma reprecificação política para gerar valor ao acionista.

Entre as diversas sugestões analisadas, seis papéis se destacaram, figurando em pelo menos cinco das dez carteiras consultadas. Nomes já conhecidos no universo dos proventos, como Petrobras, Allos e Vale, continuam relevantes, mas a lista também traz companhias com características defensivas, como a Copel, que se beneficia de receitas reguladas e menor sensibilidade à inadimplência. As recomendações sublinham a importância da resiliência operacional e da capacidade de remunerar acionistas em tempos de incerteza.

Petrobras (PETR4): Liderança em Recomendações

A estatal Petrobras (PETR4) lidera as preferências, com oito menções entre as casas de análise e um Dividend Yield de 11,72% nos últimos 12 meses. Especialistas como o BTG Pactual destacam a robustez operacional da companhia, que superou suas projeções de produção, e sua forte capacidade de precificação. O Santander, por sua vez, elevou a recomendação para compra, projetando um dividendo considerável para os próximos anos, impulsionado pela priorização na redução do endividamento. A Genial Investimentos ressalta que a Petrobras representa o arquétipo da carteira de dividendos, conciliando proventos elevados com um valuation que não exige crescimento exponencial para se justificar.

Allos (ALOS3): Solidez no Setor Imobiliário

Com sete indicações e um Dividend Yield de 13,06% nos últimos 12 meses, a Allos (ALOS3), gigante do setor de shoppings, é considerada uma das apostas mais defensivas no mercado imobiliário listado. O BTG Pactual aponta a previsibilidade de suas receitas, além de baixos níveis de vacância e inadimplência, projetando um rendimento de dividendos atraente. O Santander reitera a recomendação de compra, indicando que o mercado ainda não precificou integralmente a mudança estratégica da empresa em direção à maximização do retorno aos acionistas. A XP Investimentos, por sua vez, aumentou o peso do papel em suas carteiras, citando um valuation favorável e maior visibilidade de retorno.

Axia Energia (AXIA3): Potencial no Segmento Elétrico

A Axia Energia (AXIA3) garantiu sete recomendações e um Dividend Yield de 4,20% nos últimos 12 meses, consolidando-se como uma das opções preferenciais no segmento elétrico. O BTG Pactual fundamenta sua escolha na expectativa de preços de energia mais elevados, que beneficiam diretamente a companhia devido à sua capacidade de venda, projetando um rendimento de dividendos substancial para o médio prazo. O Santander projeta um crescimento significativo do Ebitda e vislumbra oportunidades para a nova gestão otimizar custos. A Andbank, por sua vez, chama atenção para a aprovação de um programa de recompra de ações, que reforça o compromisso da empresa com a remuneração de seus acionistas.

Itaú Unibanco (ITUB4): Aposta Defensiva Entre os Bancos

O Itaú Unibanco (ITUB4), o maior banco privado do país, conquistou seis recomendações e um Dividend Yield de 8,29% nos últimos 12 meses, sendo apontado como a alternativa defensiva mais evidente em seu setor. O BTG Pactual mantém o Itaú como a principal escolha entre os grandes bancos, apesar de uma recente queda atribuída a resgates de estrangeiros, enfatizando a alta qualidade de seus ativos. O Santander o elegeu como a principal opção no setor bancário, baseando-se em seu lucro líquido recorrente e retorno sobre o patrimônio. A Ágora Investimentos reforça que a rentabilidade superior e sustentável do Itaú justifica seu prêmio de valuation, com o dividendo adicionando um retorno de curto prazo.

Vale (VALE3): Mineradora com Retorno Consistente

A gigante da mineração Vale (VALE3) aparece em cinco carteiras recomendadas e oferece um Dividend Yield de 10,10% nos últimos 12 meses. O BTG Pactual estima um retorno ao acionista atrativo, considerando tanto dividendos quanto recompras de ações, e destaca que a companhia é negociada com desconto em relação aos seus pares globais. A tese de investimento da Vale também se mostra cada vez menos dependente apenas do minério de ferro, com ambições de crescimento em cobre. O Santander elevou suas projeções para o preço do minério de ferro, amparado pela oferta limitada e demanda resiliente da China e de outras regiões em crescimento. A Andbank aponta o forte fluxo de caixa livre e os programas de remuneração aos acionistas como pontos positivos.

Copel (CPLE3): Elétrica Paranaense com Baixo Risco

Fechando a lista das seis mais recomendadas, a elétrica paranaense Copel (CPLE3) obteve cinco indicações e um Dividend Yield de 9,49% nos últimos 12 meses. O Itaú BBA incluiu a empresa em sua carteira, esperando um rendimento de dividendos sólido, sustentado por uma combinação de geração, transmissão e distribuição de energia, baixa alavancagem e a perspectiva de distribuições relevantes nos próximos anos. O BTG Pactual atribui a evolução da Copel aos compromissos pós-privatização, incluindo resultados positivos na distribuidora e uma revisão tarifária favorável. O Santander destaca a nova política de dividendos da empresa, que oferece um fluxo previsível de proventos, consolidando uma tese de baixo risco para o atual cenário de volatilidade.

Fonte original: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/carteira-acoes-dividendos-setembro-2026/