Bolsa em Alta: Ibovespa Dispara 12% e Analistas Apontam Ações Promissoras

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Após um período de intensa volatilidade em agosto, que viu o Ibovespa mergulhar em meio a preocupações com crise de crédito, taxas de juros elevadas, riscos geopolíticos e a deterioração das contas públicas, o principal índice da bolsa brasileira reverteu a rota, registrando uma expressiva valorização de 12% em poucas sessões. Esse movimento de alta reacende o interesse dos investidores, levando especialistas do mercado a identificar as ações com maior potencial de retorno neste novo cenário.

Um fator catalisador para essa reversão foi a percepção de um cenário político mais favorável. A ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alimentou a expectativa de uma eventual mudança de governo com maior comprometimento com a saúde fiscal do país.

Em relatório, o BTG Pactual, contudo, alerta para a possibilidade de pressões contínuas por aumento de gastos públicos por parte do presidente Lula. Caso não haja um aumento compensatório de impostos, essa política poderia desestabilizar a dívida pública, impulsionar a desvalorização do real e acelerar a inflação. Apesar desses riscos, o banco afirma que a bolsa brasileira chega a setembro com uma combinação de valuations atrativos, juros reais elevados e incertezas fiscais e eleitorais.

A instituição financeira observa que os ativos domésticos já incorporam uma parcela significativa dos riscos fiscais, embora o real ainda não reflita totalmente esse cenário. O BTG Pactual considera a bolsa barata, com o Ibovespa, excluindo Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), sendo negociado a 9,7 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um desvio-padrão abaixo da média histórica. Uma melhora na percepção fiscal poderia, segundo o banco, provocar uma queda nos juros de longo prazo e destravar o potencial dos ativos domésticos.

Para guiar os investidores em busca de oportunidades neste novo ciclo, um levantamento do Money Times compilou as recomendações de 15 corretoras, revelando as ações mais citadas para o período. A Vale (VALE3) lidera com 10 indicações, seguida de perto por Itaú Unibanco (ITUB4) e Axia Energia (AXIA3), ambas com 9 menções. Petrobras (PETR4) aparece com 8 recomendações, enquanto Rede D’Or (RDOR3) obteve 7, e Embraer (EMBR3), Sabesp (SBSP3) e Gerdau (GGBR4) contaram com 6 indicações cada.

A Vale (VALE3) gera visões distintas entre as casas de análise. Enquanto o Safra adota uma postura mais cautelosa, reduzindo a exposição à mineradora para dar espaço à Gerdau (GGBR4) no setor de siderurgia — motivado por um cenário mais favorável para a produção e custos da Gerdau e a sustentação do minério de ferro próximo de US$ 100 por tonelada —, a Ágora mantém uma visão positiva. Esta última baseia sua tese no valuation descontado e no potencial de retorno de caixa da Vale. A corretora aponta que as ações negociam a um múltiplo EV/Ebitda deprimido e oferecem um dividend yield elevado, sugerindo que o mercado já precifica um cenário excessivamente pessimista para o minério de ferro. Além disso, a Ágora destaca o custo C1 competitivo da Vale, a disciplina de capital e o processo de desalavancagem, fatores que permitem forte geração de caixa mesmo em um cenário de preços de minério mais normalizados. Estímulos à economia chinesa, avanços na produção de cobre e níquel, e a resolução de passivos são citados como potenciais gatilhos para a ação.

As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) tiveram um desempenho abaixo do esperado em agosto, com queda de cerca de 10% em dólar, em meio a resgates de investidores estrangeiros diante da maior incerteza eleitoral. Apesar da pressão, a visão de investimento permanece inalterada para o BTG Pactual. O banco avalia que, em um cenário macroeconômico desafiador, com juros elevados e preocupações com um ciclo de crédito mais difícil em 2027, o Itaú se mantém como a principal tese de qualidade entre os grandes bancos, preferido no segmento de large caps. A preferência é justificada pela qualidade dos ativos e pela gestão de risco proativa. A postura conservadora do banco, embora contribua para um crescimento de receita mais fraco no curto prazo, é vista como uma preparação prudente para um ambiente operacional mais adverso. Com um balanço extremamente sólido, o Itaú estaria bem-posicionado para proteger sua rentabilidade e manter retornos elevados mesmo em um período de maior volatilidade. O valuation, negociado a 7,6 vezes o lucro projetado para 2027, é considerado atrativo.

A Axia Energia (AXIA3) continua entre os nomes preferidos do BTG Pactual, principalmente devido à perspectiva positiva do banco para os preços de energia. Essa visão otimista beneficia a companhia pelo volume significativo de energia disponível para venda, o que pode se traduzir em uma geração de caixa mais robusta. O BTG estima que a alavancagem da Axia deve permanecer abaixo de 3 vezes neste ano e recuar para 2,1 vezes em 2027. Com a melhora da estrutura de capital, a companhia tende a manter uma posição de forte pagadora de dividendos, o que se torna ainda mais atrativo em um cenário macroeconômico com juros elevados e incertezas. O banco projeta um dividend yield médio de 10% para a Axia entre 2027 e 2029, além de uma taxa interna de retorno (TIR) real de 13%.

O levantamento que embasa essas recomendações considerou as informações das carteiras de ações divulgadas por 15 instituições, somando 145 recomendações para 52 ações no mês de setembro. Entre as instituições participantes estão Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Daycoval, Empiricus Research, Itaú BBA, Planner, RB Investimentos, Santander, Terra Investimentos e XP Investimentos.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/ibovespa-quer-lucrar-com-alta-da-bolsa-15-analistas-selecionam-as-melhores-acoes-para-comprar-agora/