O Federal Reserve (Fed) se prepara para uma iminente elevação de 0,25 ponto percentual em sua taxa básica de juros, com a decisão aguardada para esta quarta-feira (16). Dados recentes, que incluem a aceleração da inflação e a resiliência do mercado de trabalho, fortalecem os argumentos para um aperto monetário, levando a taxa para o intervalo de 3,75% a 4,00%.
Desde a última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) em julho, o cenário econômico dos Estados Unidos sofreu uma reviravolta significativa. Indicadores que outrora sugeriam uma desaceleração, agora apontam para pressões inflacionárias persistentes e um mercado de trabalho robusto, distanciando a inflação da meta de 2% perseguida pela autoridade monetária.
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto, divulgado na última sexta-feira (11), foi o elemento mais contundente a reforçar as expectativas de aperto. O índice avançou 0,4% no mês, uma aceleração notável frente aos 0,1% registrados em julho. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 3,4%, bem acima do objetivo do Fed.
A energia teve um papel preponderante nesse avanço, com a gasolina subindo 3,9% e respondendo por mais de um terço do incremento total. No entanto, as pressões não se limitaram aos componentes voláteis. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, também cresceu 0,3% em agosto, e o setor de habitação registrou alta de 0,3%, após um aumento modesto de 0,1% em julho. Essa amplitude dos aumentos reforça a percepção de que a desinflação ainda encontra entraves significativos.
O mercado de trabalho americano igualmente forneceu munição para a decisão do Fed. Em agosto, a economia dos EUA adicionou 162 mil novas vagas, superando em mais de três vezes a projeção de 55 mil postos. A taxa de desemprego manteve-se estável em 4,1%. Além do número robusto de agosto, revisões positivas nos meses anteriores (junho de 20 mil para 31 mil e julho de -23 mil para +21 mil) adicionaram 55 mil vagas ao total previamente reportado.
Os salários continuaram a trajetória de crescimento, com o ganho médio por hora avançando 3,1% em relação ao ano anterior. Esse quadro de resiliência no emprego diminui os temores de que um novo aumento de juros possa desencadear uma rápida deterioração do mercado de trabalho, concedendo ao Fed maior margem para focar no controle da inflação.
A medida de inflação preferencial do Fed, o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), já havia sinalizado um alerta em julho, crescendo 0,2% no mês e acumulando 3,7% em 12 meses, superando as expectativas do mercado e mantendo-se distante da meta de 2%. O núcleo do PCE, que desconsidera alimentos e energia, registrou 0,2% em julho e 3,3% na comparação anual, indicando uma persistência das pressões subjacentes.
A resistência dos preços ganha ainda mais relevância considerando a divisão interna já existente no Fed. Na reunião de julho, o FOMC decidiu manter os juros, mas três de seus membros já defendiam um aumento de 0,25 ponto percentual, demonstrando que a ala mais inclinada ao aperto monetário já possuía argumentos antes mesmo dos últimos dados de emprego e inflação.
Por outro lado, o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre ofereceu um contraponto, crescendo a uma taxa anualizada de 1,5%, abaixo dos 2,1% esperados. Essa desaceleração foi influenciada por quedas nos gastos públicos e um ritmo mais fraco de investimentos e exportações. Contudo, a demanda doméstica mostrou-se resiliente, com as vendas finais reais para compradores privados domésticos — que englobam gastos de consumidores e investimentos — avançando 3,9%, bem acima do 1,7% do primeiro trimestre.
Em suma, o conjunto de dados econômicos divulgados desde a reunião de julho desenha um cenário mais favorável a um novo aperto monetário. Apesar de uma ligeira desaceleração no PIB, a força da demanda interna, a inesperada resiliência do mercado de trabalho e, sobretudo, a persistência e aceleração da inflação (tanto no CPI quanto no PCE) fornecem ao Federal Reserve os argumentos necessários para elevar as taxas de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, consolidando a taxa na faixa de 3,75% a 4,00% e priorizando o combate à inflação sobre os riscos à atividade.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/cpi-foi-a-gota-dagua-dados-colocam-alta-de-juros-no-radar-do-fed-jcav/



