A queda de um galho de grandes proporções de uma gameleira na Praça da Cirrose, no Setor Oeste de Goiânia, na noite do último sábado (19), trouxe novamente à tona a discussão sobre o manejo e a remoção de árvores que representam perigo na capital. Apesar de ter despencado em uma área de intensa movimentação de pedestres, o incidente, que mobilizou a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) para a remoção e liberação da via, não resultou em feridos, mas reacendeu o alerta para os riscos urbanos.
O local do ocorrido tem sido palco recente de protestos de moradores. A comunidade manifestou-se contrária à retirada de quatro gameleiras que, segundo avaliações ambientais prévias da administração municipal, apresentavam risco iminente de queda.
Em resposta ao episódio, o prefeito Sandro Mabel (UB) utilizou o acontecimento para sublinhar a importância e a urgência da remoção de árvores com laudo técnico. “Quando a prefeitura realiza a extirpação de árvores condenadas, é para salvaguardar vidas. Este galho de gameleira no Setor Oeste, cujo corte havia sido impedido, poderia ter causado ferimentos a pessoas, inclusive crianças. Graças a Deus, ninguém se feriu, embora houvesse transeuntes sob a árvore”, declarou o prefeito.
Em uma medida diretamente ligada a essa controvérsia, a Prefeitura de Goiânia encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que visa estabelecer a responsabilização civil para indivíduos que interfiram no bloqueio ou atraso da remoção de árvores consideradas condenadas por laudo técnico. A proposta prevê que, em caso de quedas ou prejuízos durante o período de suspensão do trabalho, os responsáveis pelo impedimento poderão ser acionados judicialmente pelos danos decorrentes.
O incidente na Praça da Cirrose não é isolado. A cidade tem registrado outros episódios similares, frequentemente associados a ventanias. Em 1º de setembro, a queda de árvores atingiu veículos no cruzamento das ruas 226 e 217, no Setor Leste Vila Nova, e também no bairro Vila João Vaz. Felizmente, nenhum desses eventos resultou em vítimas.
A gestão da arborização urbana em Goiânia é uma tarefa compartilhada entre diversos órgãos municipais e concessionárias. A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) é encarregada das podas preventivas em canteiros centrais, praças e rotatórias, além da coleta emergencial de árvores e galhos caídos em vias públicas.
A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) responde pelas vistorias técnicas e pela emissão de laudos para intervenções em calçadas, parques e outras áreas públicas. Para imóveis particulares, é o proprietário quem deve solicitar a avaliação da Amma e, se aprovado, contratar uma empresa especializada para executar o serviço. Casos de galhos em contato com a rede elétrica devem ser reportados diretamente à Equatorial Goiás, a concessionária responsável, sendo proibida a poda por conta própria devido ao risco de descarga elétrica.
Como parte do esforço preventivo, a Comurg registrou mais de 150 mil podas preventivas realizadas em áreas públicas da capital somente ao longo de 2026. A população tem à disposição o aplicativo “Prefeitura 24h”, disponível para iOS e Android, para solicitar serviços ou comunicar situações de risco, bastando informar o endereço exato e anexar fotos do local.
Fonte original: https://diariodegoias.com.br/queda-de-galho-de-gameleira-no-setor-oeste-reacende-impasse-sobre-corte-de-arvores-de-risco-na-capital/548012/



