O Brasil recebeu autorização do Uruguai para utilizar parte de sua cota de exportação de carne bovina para a China. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (21) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após encontro com o mandatário uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York. A medida surge como um alívio crucial para os frigoríficos brasileiros, que já esgotaram o limite de embarques estabelecido pela China para 2026.
Em uma publicação na plataforma X, o presidente Lula expressou gratidão pela permissão concedida, destacando a importância da colaboração regional para o setor. Essa flexibilização pode injetar novo fôlego nas vendas brasileiras para o mercado chinês, o principal destino da carne bovina do país.
Desde o início de 2026, a China implementou um sistema de salvaguardas para as importações de proteína, com cotas específicas para seus maiores fornecedores. Para o Brasil, o volume máximo para o ano corrente foi fixado em 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse teto, a carne brasileira desfruta de uma tarifa de importação de 12%; contudo, qualquer volume excedente é taxado em adicionais 55%, conforme informações do Ministério da Agricultura.
O preenchimento acelerado da cota impactou diretamente o ritmo das exportações brasileiras. Em agosto, os embarques de carne bovina in natura para a China totalizaram apenas 16 mil toneladas, uma queda vertiginosa de 89,8% em comparação com as 158 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025. Esse cenário evidencia a centralidade da China para a indústria frigorífica brasileira e os desafios impostos pelos novos limites.
A cota de 1,106 milhão de toneladas para 2026 representa uma redução de aproximadamente 35% em relação às cerca de 1,7 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil para o país asiático em 2025. As preocupações do setor já se estendem para 2027, quando a cota brasileira foi estabelecida em 1,128 milhão de toneladas — um aumento marginal de apenas 22 mil toneladas sobre o volume de 2026. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) tem discutido com o governo estratégias para gerenciar os embarques, visando evitar que o limite seja consumido nos primeiros meses do ano novamente.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/lula-diz-que-uruguai-cedeu-ao-brasil-parte-da-cota-de-exportacao-de-carne-bovina-a-china-pads/



