O mercado financeiro brasileiro operou sob forte pressão nesta sexta-feira (25), com o Ibovespa (IBOV) registrando uma queda expressiva que, em seu pior momento, apagou quase 2 mil pontos, enquanto o dólar rompeu a barreira dos R$ 5,20. O cenário de aversão ao risco foi impulsionado por uma inflação mais alta que o esperado, sinais de saída de capital estrangeiro e a instabilidade de blue chips.
O principal índice da bolsa brasileira iniciou o pregão em terreno negativo e, por volta das 11h (horário de Brasília), atingiu sua mínima intradia a 182.151,01 pontos, representando uma desvalorização de 0,99%. Essa pontuação marcava uma perda de 1.814,90 pontos em comparação ao fechamento do dia anterior. No entanto, o Ibovespa demonstrou uma leve recuperação ao meio-dia, retornando ao patamar dos 183 mil pontos, com a queda atenuada para 0,17%.
A revisão das expectativas inflacionárias pesou sobre o humor dos investidores. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) surpreendeu ao subir 0,70% em setembro, revertendo a deflação de 0,40% registrada em agosto e acumulando uma alta de 4,47% nos últimos 12 meses. Soma-se a isso a percepção de saída de capital externo, evidenciada pela queda de quase 1% no iShares MSCI Brazil (EWZ), um ETF negociado em Nova York que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro.
As chamadas blue chips, ações de grande peso no Ibovespa, contribuíram significativamente para a queda. A Petrobras (PETR3; PETR4) viu seus papéis recuarem na esteira do desempenho do petróleo no mercado internacional, influenciada por possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz. Por volta das 12h20, PETR3 caía 1,31% e PETR4, a ação mais negociada da B3 no período, registrava baixa de 1,60%. A Vale (VALE3), que representa 11% do índice, também operava em queda de 0,21%, sem a referência do minério de ferro na bolsa chinesa de Dalian, fechada por feriado.
Na ponta positiva do Ibovespa, a Azzas 2154 (AZZA3) se destacava com alta de 3,17%, enquanto na ponta negativa, a Ultrapar (UGPA3) liderava as perdas com um recuo de 3,69%.
Em contraste com a valorização frente a outras moedas globais, como euro e libra, o dólar ganhou força ante o real. Impulsionado por uma piora do humor externo, em meio a uma nova onda de venda de títulos do Tesouro dos EUA, a divisa norte-americana era negociada a R$ 5,2006 por volta das 12h20, com alta de 0,13%. Mais cedo, o dólar chegou a atingir sua máxima intradia de R$ 5,2145 (+0,40%), superando os R$ 5,1937 com que encerrou o dia anterior.
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, interpretou o cenário: “Essa recuperação [do dólar] ocorre enquanto o Ibovespa perde fôlego após a abertura e reforça a cautela dos investidores diante da inflação acima do esperado e das incertezas sobre os juros”.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/ibovespa-intradia-25-6-26-lils/



