Saneamento: Apenas Um Quinto dos Candidatos a Governador Apresenta Planos Abrangentes, Revela Estudo

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Uma análise recente do Instituto Trata Brasil revela que a maioria dos candidatos aos governos estaduais nas eleições de 2026 carece de propostas concretas e abrangentes para o setor de saneamento básico. O levantamento, que avaliou 62 candidaturas consideradas competitivas, aponta que apenas 20% dos postulantes – o equivalente a 13 candidatos – apresentam planos que abordam o tema de forma estruturada e completa.

A classificação de ‘abrangente’ foi atribuída a planos que contemplam quatro eixos fundamentais: planejamento e regionalização, investimentos necessários, governança e regulação do setor, além do estabelecimento de metas concretas e mensuráveis para a ampliação dos serviços. O estudo indica que apenas 13 candidatos conseguiram atender a esses critérios.

Apesar da menção generalizada ao saneamento, a pesquisa detalha que 44 propostas foram consideradas ‘transversais’, abordando apenas dois ou três desses eixos. Outros cinco planos foram classificados como ‘superficiais’, tratando de apenas um dos pontos avaliados pelo instituto, evidenciando uma abordagem ainda incipiente em muitas campanhas.

A universalização do saneamento é uma pauta recorrente, presente em 87% dos documentos analisados. Contudo, o estudo ressalta uma lacuna crucial: somente 26% dessas candidaturas estabelecem objetivos mensuráveis e prazos definidos para atingir essa meta, transformando a menção em um compromisso mais simbólico do que prático.

Outros temas importantes também registram presença variada: a drenagem urbana é citada em 76% dos documentos, enquanto o saneamento rural aparece em 66%. Propostas de investimento são encontradas em 58% dos planos, e a regionalização do serviço em 45%. Questões como população vulnerável, regulação específica, governança de dados e metas verificáveis têm um nível de atenção ainda menor, segundo o levantamento.

Essa carência de detalhamento ganha particular relevância frente ao Marco Legal do Saneamento, que estabelece metas ambiciosas para o país. Até 2033, a legislação exige que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% conte com coleta e tratamento de esgoto. A ausência de planos robustos e com metas claras pode comprometer o cumprimento desses prazos.

O levantamento também identificou uma ligeira diferença no perfil dos planos entre candidatos à reeleição e os demais. Dos nove governadores que buscam um novo mandato, quatro apresentaram propostas abrangentes. Entre os outros 53 candidatos analisados, oito foram classificados com planos igualmente completos.

Para o Instituto Trata Brasil, os próximos governos estaduais terão um papel decisivo para o atingimento das metas nacionais de universalização. O período entre 2027 e 2030, que antecede o prazo final de 2033, demandará um planejamento rigoroso, alocação estratégica de investimentos e um acompanhamento constante dos resultados. O estudo conclui que, embora o saneamento já esteja na agenda eleitoral, há um longo caminho entre a simples citação da universalização e a apresentação de estratégias viáveis com metas que permitam a verificação de avanços ao longo do mandato.

Fonte original: https://www.jornalhoraextra.com.br/destaques/apenas-20-dos-principais-candidatos-a-governador-tem-planos-abrangentes-para-saneamento