Juros Futuros Brasileiros Encerram Estáveis, com Cautela Eleitoral e Treasuries Delineando o Cenário

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As taxas dos contratos de juros futuros brasileiros registraram poucas oscilações nesta quarta-feira (30), refletindo a cautela dos investidores diante de uma corrida eleitoral acirrada internamente e a contínua escalada dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries).

A sessão começou com as taxas chegando a recuar cerca de 5 pontos-base, mas o fôlego para novas quedas se esgotou rapidamente. A recuperação do dólar e a forte alta dos Treasuries norte-americanos, que voltaram a pressionar os mercados globais, inibiram qualquer movimento mais expressivo de redução nos prêmios. Além disso, a percepção de um embate eleitoral bastante equilibrado, às vésperas do primeiro turno, desestimulou os agentes a assumirem maior exposição a risco.

Em contraste com a estabilidade de hoje, o mês de setembro foi marcado por um alívio na curva de juros brasileira. As expectativas em relação ao cenário eleitoral, que ao longo do mês se tornaram mais otimistas quanto à possibilidade de uma alternância de poder em 2027, impulsionaram esse movimento. A leitura do mercado indicava que um governo de direita estaria mais propenso a implementar um ajuste fiscal mais rigoroso e célere, o que reduziria a percepção de risco sobre o País.

Essa dinâmica de setembro resultou em significativas quedas nas taxas de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). Em relação ao fechamento de agosto, o contrato de DI para janeiro de 2029 perdeu aproximadamente 40 pontos-base, enquanto o para janeiro de 2031 cedeu cerca de 50 pontos. A ponta mais curta da curva registrou uma queda mais modesta, de 6 pontos-base.

No fechamento dos negócios desta quarta-feira, o contrato de DI para janeiro de 2027 subiu levemente de 13,548% para 13,555%. O DI para janeiro de 2029 oscilou para 13,790%, contra 13,789% no ajuste anterior. Já o contrato para janeiro de 2031 registrou uma leve queda, de 13,98% para 13,96%.

O cenário externo desempenhou um papel crucial no dia. Inicialmente, as taxas chegaram a reagir positivamente à divulgação do Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos, que avançou 0,3% em agosto ante julho (abaixo da previsão de 0,4%) e 3,4% na comparação anual (também abaixo da projeção de 3,7%). Este dado moderado esfriou brevemente as apostas em uma nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) em outubro. No entanto, o alívio foi efêmero.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, observou que, embora o resultado do PCE ajude a aliviar parte da pressão sobre os rendimentos dos Treasuries, a inflação americana permanece acima da meta do Fed, e um único dado não é suficiente para alterar a condução da política monetária. Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Research, classificou a surpresa do PCE como “quase irrelevante”, apontando para a economia norte-americana ainda aquecida e dados robustos do mercado de trabalho, como o crescimento do PIB de 2,2% no segundo trimestre (acima da previsão de 1,5%) e a criação de 90 mil novas vagas no setor privado em setembro, segundo o relatório ADP.

Para Kautz, o mercado local de renda fixa seguiu mais o ambiente externo e, por isso, não houve espaço para quedas mais acentuadas. Ele reforça que “com a aproximação das eleições, o mercado está cauteloso em relação a grandes apostas”. Recentes pesquisas eleitorais, como as divulgadas pela Indexa/Broadcast e Meio/Ideia, confirmam um empate técnico na corrida presidencial, o que, na avaliação do economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, resultou em um impacto neutro nos mercados nesta quarta-feira, sem indicar mudanças significativas às vésperas do primeiro turno.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/juros-futuros-30-9-26-apsa/