Os contratos futuros de milho negociados na bolsa de Chicago (CBOT) registraram uma queda acentuada nesta quarta-feira, impulsionada por um relatório surpreendente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que revelou um volume de estoques muito acima do esperado. O comunicado, que levou investidores a liquidar posições, indicou que os agricultores e comerciantes norte-americanos detinham 35% mais milho em 1º de setembro do que no mesmo período do ano anterior.
A pesquisa trimestral do USDA apontou que os estoques de milho alcançaram 2,095 bilhões de bushels em 1º de setembro, o maior patamar em sete anos. Essa cifra contrasta fortemente com os 1,551 bilhão de bushels registrados no ano passado e superou significativamente a média das expectativas dos analistas consultados pela Reuters, que previam 1,918 bilhão de bushels.
A inesperada abundância nos depósitos derrubou os preços do grão, com o contrato de dezembro, o mais negociado, chegando a US$4,9875 por bushel. Este valor representa uma quebra do patamar psicológico de US$5,00 e a menor cotação para o contrato desde 20 de agosto. Ao final do pregão, o milho fechou em baixa de 21,25 centavos, a US$5,0075 por bushel.
Craig Turner, consultor de gestão de risco de commodities da StoneX, sugeriu que a notícia pode sinalizar uma demanda por ração animal menor do que o antecipado pelos operadores. Ele classificou a reação do mercado como “exagerada”, afirmando que muitos fundos estavam otimistas com o milho, o que provocou o disparo de ordens de “stop” e a ativação de sistemas técnicos de venda.
O impacto do relatório do USDA reverberou por outros mercados de grãos. Os futuros de trigo na CBOT acompanharam a tendência de baixa do milho, com operadores ajustando suas carteiras antes do fechamento do mês e do trimestre. O trigo encerrou o dia com uma desvalorização de 17 centavos, cotado a US$6,7575 por bushel.
No entanto, os futuros de soja apresentaram um desempenho mais heterogêneo. A oleaginosa continuou sob pressão devido à sua exclusão da lista de reduções tarifárias após a recente cúpula entre líderes dos EUA e China, o que frustrou as esperanças de novas aquisições de suprimentos americanos por processadoras chinesas. A soja fechou em queda de 4,75 centavos, a US$12,93 por bushel.
Além disso, analistas de mercado expressaram crescente preocupação com a qualidade da safra de milho, tanto aquela já armazenada quanto a que ainda aguarda colheita nos campos. As chuvas persistentes na região oeste do Meio-Oeste americano atrasaram o processo de colheita, levando alguns processadores de soja a oferecer prêmios elevados por entregas imediatas, enquanto outros foram forçados a reduzir suas operações devido à escassez de matéria-prima.
Adicionalmente, o mercado de trigo permaneceu vigilante aos desenvolvimentos diplomáticos relacionados à mitigação das interrupções nas exportações do Mar Negro, um fator que continua a influenciar as cotações globais do cereal.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/futuros-de-milho-fecham-em-queda-em-chicago-apos-surpresa-no-relatorio-de-estoques-do-usda-pads/



