B3 Ganha Destaque em Carteiras de Dividendos Pós-Primeiro Turno, Impulsionada por Volatilidade e Juros

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A B3, operadora da bolsa de valores brasileira, emergiu em outubro como um dos destaques nas recomendações de ações pagadoras de dividendos, impulsionada por expectativas de aumento da volatilidade ligada às eleições e a um possível cenário de queda nas taxas de juros. A inclusão da companhia em carteiras de grandes instituições reflete a aposta do mercado em uma recuperação da atividade no mercado de capitais diante das incertezas políticas e econômicas.

A operadora de infraestrutura de mercado financeiro figurou em quatro das carteiras de dividendos compiladas por dez casas de análise consultadas pelo InfoMoney, com duas dessas inclusões ocorrendo neste mês. A decisão de analistas em elevar a exposição à B3 ganhou força após o primeiro turno das eleições, cujo resultado contrariou grande parte das pesquisas, levando especialistas a antecipar uma valorização da bolsa, do real e uma redução dos juros, especialmente nos vencimentos mais longos, até o segundo turno. As expectativas são de que a instabilidade eleitoral e uma eventual mudança na política econômica impulsionem os volumes negociados e que a baixa dos juros sustente a retomada do mercado de capitais.

No topo do ranking geral de dividendos, Petrobras, Allos e Itaú Unibanco compartilham a liderança, cada uma com seis indicações. Apesar da permanência dos seis nomes que se destacaram em setembro, houve uma redistribuição das recomendações, com a Petrobras perdendo sua hegemonia e a Axia registrando uma redução em suas menções.

Petrobras (PETR4)

Analistas como Itaú BBA e XP Investimentos citam o avanço na produção do pré-sal, as margens favoráveis de refino impulsionadas pelos preços do petróleo, e sua robusta capacidade de geração de caixa como fatores que sustentam os dividendos. O Santander elevou a recomendação para compra, revisando o preço-alvo e destacando o potencial de alta da produção ainda não totalmente precificado.

Allos (ALOS3)

A administradora de shoppings é vista por casas como Santander e Ágora Investimentos como uma tese defensiva no setor imobiliário. Os pontos positivos incluem resultados trimestrais acima do esperado, baixa inadimplência, distribuição mensal de proventos e a parceria para um fundo imobiliário, que pode gerar novas fontes de receita. A empresa mantém vacância controlada e alavancagem saudável, mesmo em um cenário de juros elevados.

Itaú Unibanco (ITUB4)

O BTG Pactual e o Santander consideram o Itaú bem posicionado, independentemente do cenário eleitoral, priorizando-o pela qualidade de seus ativos e gestão de risco. Apesar de um crescimento de receita mais moderado no curto prazo, isso é visto como uma postura conservadora que prepara o banco para desafios futuros. O Andbank ressaltou o lucro expressivo e o retorno sobre o patrimônio no segundo trimestre.

Axia (AXIA3)

A companhia se destaca por programas de recompra de ações, com a XP Investimentos mantendo-a entre suas maiores posições. A visão positiva para os preços de energia e a redução da alavancagem são fatores chave. Contudo, a Axia viu uma queda em suas recomendações, com algumas casas, como o Itaú BBA, optando por substituí-la pela B3, buscando exposição à recuperação do mercado de capitais.

Copel (CPLE3)

A empresa paranaense é elogiada pelo crescimento do EBITDA no segundo trimestre, superando as expectativas, e por seu valuation atrativo em relação aos pares. Analistas do Andbank e Santander apontam a exposição ao segmento de transmissão, a esperada reestruturação societária, a migração para o Novo Mercado, e uma política de dividendos favorável. O principal risco identificado são as restrições à geração de energia.

Vale (VALE3)

Apesar de uma queda recente impulsionada por preocupações com o custo do frete, as casas que mantêm a Vale em suas carteiras destacam a disciplina na alocação de capital e uma tese de investimento cada vez menos dependente exclusivamente do minério de ferro. Alguns analistas veem seus contratos de longo prazo e frota dedicada como proteção contra os custos de frete. A XP, embora tenha reduzido o peso, mantém uma visão construtiva de longo prazo, especialmente na agenda do cobre.

B3 (B3SA3)

A operadora da bolsa, além da entrada nas carteiras do BTG Pactual e Itaú BBA, teve seu peso aumentado na XP. O BTG Pactual ressalta a alta qualidade da companhia e sua forte alavancagem operacional, com crescimento do volume médio diário de ações e receitas recorrentes. A XP aposta que juros mais baixos e a volatilidade eleitoral impulsionarão os volumes e, com o controle de custos, sustentarão o lucro e a remuneração aos acionistas.

Fonte original: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/efeito-eleicao-leva-b3-a-ranking-de-melhores-acoes-de-dividendos-veja-lista/