Em uma guinada significativa em sua política de urbanização, a Prefeitura de Goiânia está investindo em soluções mais sustentáveis para o paisagismo da capital, abandonando a controvertida aposta em grama sintética. Somente este ano, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) já plantou cerca de 104,9 mil metros quadrados de grama natural na cidade, uma área equivalente a mais de 11 campos de futebol do porte do Estádio Serra Dourada, marcando uma transição para um modelo mais verde e resiliente.
A iniciativa representa um esforço concentrado em medidas ambientais para 2026, com foco na resiliência climática e no embelezamento urbano. Conforme Cleber Aparecido Santos, presidente da Comurg, a vegetação natural desempenha um papel crucial no combate aos desastres climáticos e na sustentabilidade do ambiente urbano. “Os espaços gramados absorvem a água da chuva com muito mais eficiência do que superfícies impermeabilizadas, além de diminuir as ilhas de calor. As raízes das gramíneas também ajudam a fixar o solo, prevenindo erosões”, explicou o dirigente.
Além dos benefícios ecológicos, a grama natural contribui significativamente para a estética da cidade. Santos ressaltou que “o plantio valoriza os espaços urbanos. É um trabalho que distribuímos por diversas regiões, dando atenção especial a canteiros, rotatórias, praças e outras áreas públicas que são parte integrante do cotidiano da população”.
As equipes da Comurg mantêm um ritmo constante de trabalho. Nesta semana, estão focadas no plantio de 6,33 mil metros quadrados de grama em rotatórias e canteiros da Alameda Aeroporto, no Setor Santa Genoveva, com os serviços incluindo a preparação do solo e a cobertura vegetal.
Recentemente, diversas localidades já foram beneficiadas por essa revitalização. Entre elas, destacam-se os canteiros da Avenida Ary José Cascão, no Residencial Fonte das Águas, com 7 mil m² de grama implantados; uma praça no Recanto do Bosque, que recebeu 5,1 mil m²; uma área pública no Jardim Curitiba, com 1,1 mil m²; e uma praça na região do Parque Tremendão e Jardim Hortências, com 4,7 mil m² de nova vegetação.
Na Região Leste, os canteiros da 5ª Avenida, no cruzamento com a 11ª Avenida (Setor Leste Vila Nova), e da Avenida Leste-Oeste (Bairro Feliz) também foram revitalizados. Paralelamente à implantação de novas áreas gramadas, a Comurg mantém um cronograma de serviços permanentes, incluindo poda, irrigação, limpeza e manutenção de canteiros ornamentais.
A mudança de estratégia ocorre após uma experiência frustrada da Prefeitura com a instalação de grama sintética. Em 2025, um projeto-piloto implementou o material em canteiros centrais da cidade, visando à redução de custos de manutenção durante a seca. No entanto, os trechos revestidos foram danificados e deslocados por temporais, levando a revisões e até remoções do material pela administração municipal.
À época, a Prefeitura justificou a escolha pela grama sintética alegando economia, baixa manutenção, menor consumo de água, praticidade e controle de poeira. Contudo, o projeto gerou amplos debates e críticas de ambientalistas, urbanistas e moradores, que apontavam para o aumento da sensação térmica, a impermeabilização do solo e o impacto negativo na paisagem urbana, fatores que contribuíram para o enfraquecimento da iniciativa.
Fonte original: https://diariodegoias.com.br/apos-vexame-com-grama-sintetica-goiania-aposta-em-plantio-de-104-mil-m%C2%B2-de-grama-natural/550089/



