A produção interna de milho da China está projetada para um crescimento robusto neste ano, ao mesmo tempo em que as importações devem registrar uma ligeira queda. Essa perspectiva se baseia na contínua inviabilidade econômica do milho proveniente dos Estados Unidos, segundo declarações de Zhang Dalong, diretor de pesquisa de produtos agrícolas da Cofco Futures, nesta terça-feira (13), durante uma conferência em Dalian.
Zhang Dalong informou que a nova safra chinesa de milho deverá expandir-se entre 5 milhões e 8 milhões de toneladas em comparação com o ano anterior, impulsionada principalmente por um desempenho superior nas regiões do norte do país. Ele detalhou que, enquanto a área de plantio no Nordeste aumentou, a produtividade na região diminuiu. Em contrapartida, o norte da China registrou melhorias tanto na produção quanto na qualidade do cereal.
Para a safra 2026/27, a Cofco Futures estima que as importações chinesas de milho atingirão 3,5 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 170 mil toneladas em relação ao período anterior. Deste total, 1,2 milhão de toneladas seriam provenientes do Brasil e outro 1,2 milhão da Argentina. Os Estados Unidos contribuiriam com 900 mil toneladas, com o restante dividido entre outros fornecedores globais.
A análise surge em um momento de intensa observação por parte dos traders globais sobre um possível aumento nas aquisições de produtos agrícolas dos EUA pela China. Recentemente, os dois países sinalizaram uma proposta para reduzir tarifas sobre diversos produtos, incluindo milho, trigo e óleos vegetais. Historicamente, o milho tem sido um dos itens agrícolas de maior valor exportados dos EUA para a China, podendo ser crucial para Pequim cumprir um acordo de compra de US$17 bilhões, conforme anunciado pela Casa Branca em maio.
Apesar desse contexto, Zhang reforçou que o milho norte-americano não apresenta viabilidade comercial no momento. Mesmo com uma tarifa reduzida de 1% dentro da cota de importação, as margens para os importadores chineses permanecem negativas. Uma apresentação da Cofco Futures ilustrou que, tomando como base os portos do Golfo dos EUA, a margem teórica para o milho com entrega entre novembro de 2026 e março de 2027 variava de um prejuízo de 15,52 a 59,75 iuanes (equivalente a US$2,32 a US$8,93) por tonelada.
As projeções da Cofco Futures também abrangem outros grãos. As importações de sorgo devem alcançar 8 milhões de toneladas na safra 2026/27, representando um aumento de 550 mil toneladas em relação ao ano anterior. Já as importações de cevada estão estimadas em 10 milhões de toneladas, com uma queda de 3,14 milhões de toneladas em comparação ao período precedente.
Para o quarto trimestre, as estimativas de chegada de milho somam 400 mil toneladas. As chegadas de sorgo estão projetadas para 2,95 milhões de toneladas, um crescimento de 2,06 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, enquanto as de cevada devem atingir 2,6 milhões de toneladas.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/colheita-de-milho-da-china-deve-crescer-milho-dos-eua-ainda-nao-e-opcao-diz-diretor-da-cofco-futures-pads/



