Um novo ciclone extratropical e a passagem de uma frente fria estão prestes a transformar o cenário climático no Centro-Sul do Brasil, com a expectativa de chuvas torrenciais que podem acumular até 150 milímetros. Estados como São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul estão sob alerta máximo para temporais, rajadas de vento intensas e queda de granizo a partir dos próximos dias, conforme projeções do meteorologista Arthur Müller do Canal Rural.
A atuação combinada de um sistema de baixa pressão atmosférica sobre o Paraguai e um cavado já gera condições de instabilidade, resultando em precipitações significativas no sul de Mato Grosso do Sul, em São Paulo e no norte do Paraná. Para esta terça-feira (13), o especialista alerta para o risco de rajadas de vento e granizo, especialmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
A partir de sexta-feira (16), a formação do ciclone extratropical, associado ao desenvolvimento de uma frente fria, deverá canalizar umidade e intensificar as chuvas. O período de maior atenção se estende de 19 a 23 de outubro, quando os acumulados podem variar entre 100 e 150 milímetros em áreas de São Paulo, sul de Mato Grosso do Sul e Paraná. Esse volume expressivo pode impactar negativamente o andamento das atividades agrícolas nessas regiões.
Apesar do alerta para o Centro-Sul, as chuvas recentes no Brasil Central têm sido um alívio para o plantio da safra de soja em curso. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), citados por Müller, indicam que a semeadura da oleaginosa está 4,5 pontos percentuais à frente do ritmo observado no mesmo período do ano passado. Mato Grosso já semeou mais de 25% da área prevista, enquanto o Paraná lidera com 36% da área cultivada. Mato Grosso do Sul também avança significativamente, beneficiado pela redução temporária das precipitações e pela boa umidade do solo.
O meteorologista explica que as recentes precipitações foram cruciais para a recuperação da umidade no centro-sul de Mato Grosso e de Goiás. Contudo, regiões do centro-norte do país ainda demandam volumes mais consistentes para garantir condições adequadas ao plantio. Em São Paulo, o excesso hídrico tem dificultado o início dos trabalhos em algumas áreas, enquanto no Tocantins a escassez de umidade no solo permanece um desafio. Produtores de áreas de sequeiro são aconselhados a aguardar a recuperação da umidade do solo antes de iniciar a semeadura, a fim de minimizar riscos.
Avançando para o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a chegada gradual das instabilidades deve trazer acumulados iniciais entre 10 e 15 milímetros, sinalizando uma retomada progressiva das chuvas. A expectativa é de que as precipitações se intensifiquem após a metade de outubro, podendo alcançar o Agreste nordestino por volta da semana do dia 25. Apesar dessa melhora, Arthur Müller ressalta que os volumes previstos ainda não serão suficientes para reverter o déficit hídrico acumulado em diversas localidades. Enquanto isso, o calor permanece intenso no Centro-Norte, com temperaturas máximas que podem atingir 40°C em Mato Grosso e no Tocantins.
Projeções de precipitação para importantes regiões agrícolas nos próximos 30 dias, com tendências para novembro e dezembro, incluem:
- Sorriso (MT): Chuvas irregulares nos próximos 30 dias, com cerca de 100 milímetros, auxiliando o desenvolvimento inicial das lavouras. Intensificação esperada a partir de novembro, com acumulados podendo chegar a 200 milímetros em períodos de 30 dias.
- Toledo (PR): Janelas de tempo firme favoráveis às atividades agrícolas entre 16 de outubro e o final do mês. Produtores devem aproveitar, pois novembro e dezembro prometem aumento significativo das precipitações, ultrapassando 300 milímetros, o que pode limitar as operações no campo.
- Uberaba (MG): Previsão de aproximadamente 200 milímetros nos próximos 30 dias. Períodos mais secos entre 19 e 28 de outubro podem favorecer o plantio. Novembro e dezembro devem manter a continuidade das chuvas, com acumulados potenciais de 300 milímetros.
Em resumo, o Centro-Sul do Brasil enfrenta um período de instabilidade acentuada, com o risco de temporais e elevados volumes de chuva impactando a agricultura. No Brasil Central, as chuvas recentes impulsionam o plantio da soja, apesar dos desafios de umidade em algumas áreas. O Matopiba e o Agreste nordestino veem uma melhora gradual, mas ainda insuficiente para suprir o déficit hídrico, enquanto o calor persiste no Centro-Norte.
Fonte original: https://www.canalrural.com.br/previsao-do-tempo/ciclone-e-frente-fria-devem-provocar-chuva-de-ate-150-mm-nos-proximos-dias/



