Os principais índices de Wall Street registraram perdas na terça-feira, impactados por uma forte desvalorização no setor de semicondutores e pela análise dos primeiros resultados da temporada de balanços corporativos, mesmo com a descompressão observada nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. O mercado também se prepara para a divulgação de importantes dados de inflação.
Ao final do pregão, o Dow Jones recuou 0,35%, fechando aos 51.670,70 pontos. O S&P 500 teve uma leve baixa de 0,02%, para 7.805,47 pontos, enquanto o Nasdaq, com maior peso em tecnologia, cedeu 0,15%, encerrando o dia em 27.204,38 pontos.
A pressão veio majoritariamente do setor de tecnologia, especialmente das fabricantes de chips. As ações dessas companhias sofreram um revés generalizado, espelhando uma venda massiva na Bolsa da Coreia do Sul, onde o índice Kospi despencou mais de 5%, levando à interrupção das negociações devido ao aumento da aversão ao risco. O sentimento negativo foi impulsionado pela crescente competitividade no segmento, particularmente por parte de empresas chinesas.
Nesse cenário, a CXMT (ChangXin Memory Technologies), principal fabricante chinesa de chips de memória DRAM e a quarta maior do mundo, revelou uma nova arquitetura de chip com uma redução de cerca de 30% na área das células, com planos de lançar um produto baseado nessa tecnologia até o final de 2026. Em Wall Street, o impacto foi sentido por gigantes como a Micron (Nasdaq: MU), que caiu 3,62%, para US$ 953,19, e a SanDisk (Nasdaq: SNDK), que teve queda de 0,34%, fechando em US$ 1.482,33.
Paralelamente, a temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 foi inaugurada oficialmente, tradicionalmente começando com os grandes bancos. As divulgações trouxeram um panorama misto para o setor financeiro.
O JPMorgan Chase reportou um lucro líquido de US$ 15,3 bilhões no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 6% em relação ao ano anterior. O lucro por ação diluído foi de US$ 5,57, superando os US$ 5,07 do mesmo período do ano passado, mas ficou abaixo da expectativa dos analistas da FactSet, que projetavam US$ 5,93 por ação. Já o Wells Fargo registrou um lucro líquido de US$ 5,95 bilhões, acima dos US$ 5,58 bilhões de igual período de 2026, com lucro por ação diluído de US$ 1,87, marginalmente superior à previsão de US$ 1,85 da FactSet. Por sua vez, o Goldman Sachs se destacou com um lucro líquido de US$ 5,294 bilhões, um avanço de 29% frente aos US$ 4,098 bilhões do terceiro trimestre de 2026, e um lucro diluído por ação de US$ 17,01, bem acima dos US$ 12,90 esperados pelos analistas.
Em uma perspectiva mais ampla, analistas compilados pela FactSet esperam que os lucros das empresas listadas no S&P 500 cresçam quase 30% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O mercado também se mantém atento à espera de novos dados de inflação. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos será divulgado na quarta-feira (14) e, embora não seja a principal métrica do Federal Reserve (Fed) para a inflação, seu resultado deverá influenciar as apostas sobre a trajetória das taxas de juros americanas.
No fechamento da terça-feira, a ferramenta FedWatch do CME Group indicava uma probabilidade de 78,4% de que o Fed mantenha os juros no patamar de 3,75% a 4,00% na próxima reunião de política monetária, agendada para 28 de outubro. Para dezembro, a chance predominante (89,5%) é de um aumento de pelo menos 25 pontos-base na taxa básica de juros, conforme a mesma ferramenta.
(Com informações da Reuters)
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/wall-street-13-10-26-lils/



