FMI Pressiona por Ajuste Fiscal Urgente e Alerta para Pressão dos Mercados Globais

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) instou as principais economias globais a implementarem ajustes fiscais urgentes, alertando que a inação pode forçar intervenções drásticas dos mercados financeiros. A advertência foi proferida nesta quarta-feira (14), durante as reuniões anuais conjuntas do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc, em um contexto de rendimentos de títulos soberanos em alta, inflação persistente e crescente endividamento público.

Rodrigo Valdés, diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, enfatizou o aumento do risco provocado pela demora na adoção de medidas. Ele ressaltou a dificuldade em prever os pontos de inflexão, mas advertiu que a prolongada espera eleva a probabilidade de que tais limites já tenham sido atingidos.

A instituição destacou que as taxas de juros elevadas transcenderam o patamar de risco potencial, tornando-se uma pressão concreta sobre o custo do serviço da dívida. Em diversas economias, esses custos alcançaram os maiores patamares desde a década de 1990. Parte dessa pressão também foi atribuída à competição por capital, com empresas do setor de inteligência artificial disputando financiamento com os governos.

Era Dabla-Norris, diretora-adjunta do departamento fiscal do FMI, apontou que os custos crescentes do endividamento amplificam o peso de qualquer ajuste necessário. Complementando essa visão, a diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, expressou preocupação com a resiliência global, sugerindo que ela pode estar próxima de seu limite e alertando contra a complacência.

Georgieva detalhou a persistência da incerteza no cenário global, com conflitos armados exacerbando a inflação e perturbando o fluxo de energia e commodities. Ela previu que tais gargalos podem impulsionar ainda mais os preços de energia e alimentos, adicionando-se aos impactos do fenômeno El Niño, às tensões comerciais e à desaceleração da atividade econômica.

O FMI observou, ainda, que os rendimentos elevados observados nos países avançados estão se espalhando para as economias emergentes, apertando as condições de financiamento. Para mitigar esse quadro, o organismo internacional propõe o aumento de receitas, a racionalização de gastos e a concentração de apoio nos grupos mais vulneráveis da sociedade. Georgieva acrescentou que os bancos centrais devem manter total foco na estabilidade de preços, adotando uma postura prudente e mais rigorosa em muitas nações.

A mensagem central do FMI, transmitida durante os encontros em Bangcoc, sublinhou a urgência fiscal diante do panorama de juros altos, inflação persistente e pressões sobre setores vitais como energia, alimentos e commodities no cenário internacional.

Fonte original: https://www.canalrural.com.br/economia/fmi-cobra-ajuste-fiscal-urgente-e-alerta-para-pressao-dos-mercados/