Mercados Brasileiros Recuam com Inflação nos EUA Acima do Esperado; Dólar Sobe e Foco se Volta para Cenário Político Interno

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O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou uma queda significativa na manhã desta quarta-feira, estendendo as perdas do dia anterior. A retração foi impulsionada pela cautela nos mercados globais, após a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos que superaram as expectativas. Em meio a esse cenário externo desafiador, o dólar operou em alta frente ao real, enquanto investidores no Brasil também monitoravam de perto a corrida presidencial e outros indicadores econômicos domésticos.

Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o Ibovespa (IBOV) marcava queda de 1,31%, atingindo 204.170,86 pontos. A aversão ao risco era evidente, com apenas um número reduzido de ações apresentando valorização. Simultaneamente, o dólar à vista mostrava fortalecimento ante a moeda brasileira, valorizando 0,47% e negociado a R$ 5,0441, contrariando o desempenho de outras moedas globais frente à divisa americana. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, registrava avanço de 0,54%, alcançando 102.722 pontos.

Além dos movimentos nos mercados de câmbio e ações, uma série de fatores internos e externos capturavam a atenção dos investidores nesta quarta-feira. Conheça os cinco principais pontos que movimentam os mercados e a economia:

1. Cenário Político: Disputa Presidencial no Brasil

A corrida eleitoral continua a ser um dos principais fatores de influência para os mercados locais. Investidores aguardam a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto, especialmente após o levantamento BTG Pactual/Nexus indicar uma redução na vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pesquisa Quaest, com previsão de divulgação para as 18h de hoje, é aguardada com expectativa. Paralelamente, Flávio Bolsonaro confirmou sua presença no debate presidencial da Band, agendado para o próximo domingo (18), após uma decisão inicial de não participar.

2. Debate no Senado: PEC da Escala 6×1

O Senado Federal realiza hoje a quinta e última sessão de discussão de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que, em seguida, deve ser submetida à votação em primeiro turno no plenário. Para sua aprovação final, a PEC necessita de 49 votos favoráveis em dois turnos. O rito legislativo prevê um intervalo de três sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno, o que, se integralmente cumprido, pode adiar a votação definitiva para após o segundo turno das eleições.

3. Desempenho do Setor de Serviços

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o setor de serviços do Brasil apresentou um desempenho abaixo do esperado em agosto, refletindo uma desaceleração da atividade econômica. O volume do setor recuou 0,1% na comparação com julho, embora tenha registrado um crescimento de 0,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As projeções de economistas consultados pela Reuters apontavam para um avanço de 0,4% mensal e 1,1% anual, demonstrando que o setor frustrou as expectativas pelo segundo mês consecutivo, após a estabilidade observada em julho.

4. Inflação nos Estados Unidos

Um dos principais fatores de pressão nos mercados globais, o índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA avançou 0,6% em setembro, superando a alta de 0,4% registrada em agosto. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada atingiu 3,7%, permanecendo acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve (Fed). Embora o CPI não seja o principal índice de inflação monitorado pelo Fed, seus dados são cruciais para a calibração das expectativas sobre a trajetória dos juros na maior economia do mundo.

5. Cotações do Petróleo em Alta

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta manhã, impulsionados por um alerta da Agência Internacional de Energia (AIE) sobre a possibilidade de as restrições nos mercados de diesel persistirem até 2027. A AIE também destacou que novos ataques à Arábia Saudita representam uma ameaça à recuperação da oferta global de petróleo. Por volta das 10h (horário de Brasília), o contrato do Brent para dezembro registrava uma leve alta de 0,02%, cotado a US$ 105,71 o barril. No mercado americano, o contrato do WTI para novembro avançava 1,46%, negociado a US$ 95,51 o barril.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/ibovespa-5-coisas-14-10-26-lils/