Um momento histórico de inclusão foi alcançado na diplomacia brasileira. Helen Jaine Gomes Borgens, uma jovem quilombola de 25 anos, natural de Simolândia, Goiás, tornou-se a primeira pessoa de sua comunidade a ser aprovada no rigoroso concurso de admissão à carreira diplomática. Ela conquistou a única vaga reservada a candidatos quilombolas na seleção de 2026 do Instituto Rio Branco, órgão formador do Ministério das Relações Exteriores, marcando um novo capítulo na representatividade do serviço público federal.
A aprovação de Helen Jaine não é apenas um triunfo pessoal, mas um símbolo da efetividade das novas políticas federais de cotas, que pela primeira vez destinaram vagas para indígenas e quilombolas no processo seletivo do Itamaraty. Para a futura diplomata, este feito representa a ampliação da presença de grupos historicamente sub-representados em posições de decisão e poder.
Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Helen pertence à comunidade quilombola do Retiro. Sua jornada de preparação foi marcada pela resiliência: após a graduação, retornou a Simolândia, no Nordeste goiano, onde, distante dos grandes centros e da oferta de cursos especializados, dedicou-se aos estudos. Sem acesso a professores de inglês com formação específica na região, ela dominou o idioma de forma autodidata, buscando materiais e aprofundando-se nos diversos conteúdos exigidos pela complexa prova.
Apesar de ter chegado a considerar abandonar o objetivo de ser diplomata durante a graduação, o interesse pela carreira reacendeu, impulsionado por um professor de cursinho em 2017 e, posteriormente, pela disciplina de Política Externa Brasileira. A inspiração para seguir estudando também veio de sua família, especialmente da avó, que sempre valorizou a educação e o ensino superior.
A seleção para o cargo de terceiro-secretário no Instituto Rio Branco é reconhecida como um dos concursos públicos mais desafiadores do país, abrangendo disciplinas como História do Brasil, Política Internacional, Economia e Direito. Na edição de 2026, que ofereceu 60 vagas, uma foi destinada a candidatos quilombolas, e Helen foi a aprovada. O salário inicial previsto no edital é de aproximadamente R$ 22,5 mil brutos, seguido pelo Curso de Formação de Diplomatas.
Apesar de almejar o posto máximo de embaixadora, Helen Jaine Borgens enfatiza que sua prioridade é ser uma diplomata eficaz, capaz de representar a rica diversidade brasileira no cenário internacional. Para ela, ocupar um espaço na diplomacia é também uma forma de conferir visibilidade às histórias e experiências das comunidades quilombolas, levando-as a fóruns onde raramente estiveram presentes. Sua conquista não apenas redefine sua própria trajetória, mas estabelece um precedente significativo para a inclusão e a representatividade no serviço público federal brasileiro.



