Açúcar avança, enquanto café e cacau registram perdas expressivas na semana

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O mercado de commodities agrícolas encerrou a semana em um cenário de divergência, com os contratos futuros de café e cacau registrando perdas significativas após períodos de forte valorização. Em contrapartida, o açúcar demonstrou resiliência, fechando com ganhos modestos. As negociações para café arábica, açúcar bruto e cacau em Nova York serão suspensas na próxima segunda-feira devido ao feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

Açúcar em alta impulsionado por tensões globais

Os contratos futuros de açúcar bruto acumularam um ganho de 2,6% na semana, fechando a 18,07 centavos por libra-peso nesta sexta-feira, praticamente estáveis no dia. O mercado havia atingido sua máxima em 16 meses, de 18,77 centavos, na quarta-feira. O avanço ocorre em meio a um cenário de preocupações com a oferta global.

Dados do Ministério da Agricultura indicaram uma queda de 7,9% na produção de açúcar na região Centro-Sul do Brasil, principal área produtora, na primeira quinzena de agosto. Paralelamente, as exportações brasileiras de açúcar em agosto foram 27% menores do que no ano anterior, totalizando 2,7 milhões de toneladas.

A BMI, unidade da Fitch Solutions, alertou que os elevados preços da energia, impulsionados pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, continuam a incentivar as usinas brasileiras a priorizarem a produção de etanol em detrimento do açúcar. Além disso, a empresa destacou que o fenômeno El Niño representa riscos consideráveis para a produção de açúcar em grandes produtores como Índia e Tailândia. A Organização Meteorológica Mundial prevê que o El Niño deve se intensificar até 2027, podendo ser o mais forte já registrado e aumentando os riscos de condições climáticas extremas no próximo ano. O contrato futuro do açúcar branco fechou em queda de 0,7%, a US$ 523,10 por tonelada.

Café sob pressão de exportações brasileiras

O café arábica encerrou a semana com uma perda de 5,5%, embora tenha fechado esta sexta-feira praticamente inalterado a US$ 2,956 por libra-peso. O contrato havia atingido sua menor cotação em cinco semanas na quinta-feira, a US$ 2,8975. A pressão sobre as cotações é atribuída à recuperação das exportações do Brasil, maior produtor mundial, e ao retorno das chuvas às regiões cafeeiras do país.

O governo brasileiro informou que as exportações de café em agosto aumentaram 45% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 3,44 milhões de sacas. No entanto, o corretor e consultor Michael Nugent ponderou que “temos estoques certificados de arábica genuinamente escassos, estoques ainda baixos nos mercados de destino e… o El Niño”, indicando potenciais fatores de suporte a longo prazo. O café robusta, por sua vez, registrou uma alta de 1,7%, fechando a US$ 3.430 por tonelada, após ter atingido na quinta-feira o menor preço em dois meses e meio, a US$ 3.329.

Cacau em queda, com preocupações sobre El Niño amenizadas

Os contratos futuros de cacau registraram perdas acentuadas, com o cacau em Londres caindo 7% na semana, fechando esta sexta-feira a £ 4.518 por tonelada, praticamente estável no dia. O preço permaneceu um pouco abaixo da máxima de um ano, de £ 4.988, atingida na terça-feira. Da mesma forma, o cacau em Nova York fechou com uma queda semanal de 7%, negociado a US$ 6.188 por tonelada, após uma leve alta de 0,2% no dia.

As preocupações com o El Niño para a produção de cacau persistem, mas a corretora ADMIS indicou que essas apreensões diminuíram um pouco. A corretora observou que o El Niño anterior trouxe um clima frio e úmido no final do verão, causando problemas com doenças, um padrão que a África Ocidental, até o momento neste ano, conseguiu evitar.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/cafe-e-cacau-registram-perdas-semanais-acucar-sobe/