Açúcar e Cacau sobem após mínimas plurissemanais; Café contraria tendência e recua

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O mercado global de commodities agrícolas registrou uma recuperação notável para os futuros de açúcar bruto e cacau nesta segunda-feira, com ambos os produtos revertendo perdas recentes que os levaram a mínimas plurissemanais. O açúcar bruto, negociado na bolsa ICE, subiu após tocar seu menor valor em três semanas e meia, enquanto o cacau londrino se recuperou de uma queda que o deixou em um patamar visto pela última vez há quase seis semanas, contrastando com a tendência de baixa observada no café.

Ao final do pregão, o contrato futuro de açúcar bruto encerrou com alta de 0,7%, ou 0,12 centavo, atingindo 17,48 centavos por libra-peso. Mais cedo, a commodity chegou a ser negociada a 17,26 centavos, configurando a menor cotação em três semanas e meia.

Embora o açúcar bruto tenha alcançado um pico de 15 meses no início do mês, analistas apontam que a realização de lucros por investidores, à espera de informações sobre os impactos climáticos do fenômeno El Niño, gerou pressão vendedora. Contudo, a perspectiva de uma oferta global mais apertada continua a sustentar os preços. As preocupações incluem uma produção reduzida de beterraba na Europa, projeções de menor oferta asiática para 2026/27 devido à estiagem, e um declínio na produção do Brasil, o maior produtor, em função do excesso de chuvas.

A Indonésia, por exemplo, antecipa uma queda de aproximadamente 25% na produção de cana-de-açúcar este ano, impactada pela seca e incêndios florestais. Em contraste, o açúcar branco registrou uma ligeira queda de 0,3%, sendo cotado a US$ 507,50 por tonelada métrica.

No segmento do cacau, os futuros negociados em Londres fecharam em alta de £27, o equivalente a 0,7%, para £3.961 por tonelada. Esta recuperação veio após a commodity ter atingido uma mínima de quase seis semanas, cotada a £4.036.

Apesar da recuperação, o banco ING observou que a oferta de curto prazo permanece confortável, com estoques monitorados pela bolsa ainda abundantes e uma lenta retomada da demanda, à medida que os fabricantes buscam reduzir o uso do cacau. Contudo, a instituição ressaltou que a commodity continua amparada por um déficit de oferta previsto para o ciclo 2026/27. Dados recentes da Costa do Marfim, principal produtor, indicam que as chegadas de cacau aos portos totalizaram 16.000 toneladas métricas na semana finda em 20 de setembro, acumulando 20.500 toneladas desde o início da safra 2026/27. As condições climáticas no país, com precipitação abaixo da média, levantam preocupações sobre o desenvolvimento da safra principal, que ocorre entre setembro e fevereiro. Na Bolsa de Nova York, o contrato de cacau avançou 0,5%, fechando a US$ 5.351 por tonelada.

Em contraste com o açúcar e o cacau, o mercado de café registrou quedas significativas. O café arábica encerrou o dia com baixa de 1,5%, ou 4,1 centavos, sendo cotado a US$ 2,764 por libra-peso. Durante o pregão, a cotação chegou a US$ 2,7425, o menor patamar em três meses.

A pressão sobre os preços do café é atribuída a diversos fatores, incluindo o aumento dos estoques de arábica na ICE, o crescimento das exportações do Brasil – maior produtor mundial – e as condições climáticas favoráveis tanto no Brasil quanto no Vietnã. No Brasil, o florescimento antecipado dos cafeeiros tem levado analistas a projetar uma maturação mais precoce para a safra de 2027, o que poderia antecipar um incremento na oferta global. O café robusta acompanhou o movimento de baixa, caindo 1,7% para US$ 3.337 por tonelada, após registrar uma mínima intradiária de mais de três meses a US$ 3.307.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/acucar-bruto-se-recupera-apos-atingir-minima-de-3-semanas-e-meia-cacau-tambem-sobe/