O agronegócio brasileiro registrou um aumento expressivo de 21,9% nos pedidos de recuperação judicial (RJ) no primeiro trimestre de 2026, totalizando 474 solicitações. Esse cenário acende um alerta para a saúde financeira do setor e impacta diretamente instituições como o Banco do Brasil (BBAS3), um dos principais financiadores agrícolas do país. Os dados foram divulgados pela Serasa Experian nesta quarta-feira (12), revelando que o impulso veio, principalmente, de produtores que atuam como pessoa jurídica, em meio a crescentes dívidas e custos de produção.
O indicador, que consolida os pedidos de produtores rurais (físicos e jurídicos) e empresas da cadeia produtiva, também mostra um crescimento em comparação com o quarto trimestre de 2025, quando foram registradas 408 solicitações de RJ. Apesar do salto recente, o número ficou abaixo do pico de 628 pedidos observado no terceiro trimestre do ano anterior.
“Um cenário de crédito mais restritivo, somado à persistência de elevados custos de produção e ao maior grau de endividamento dos produtores, continuou a afetar a liquidez no campo”, explicou Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian. Ele ressaltou que a evolução do quadro até o final do ano dependerá da capacidade de gerar receita, do comportamento das margens de lucro e das condições de renegociação de dívidas.
Pimenta ainda enfatizou a importância de “renegociar e manter um planejamento financeiro como prioridade”, considerando a recuperação judicial como o último recurso. Essa orientação visa preservar a sustentabilidade dos negócios rurais em um momento desafiador.
Entre os estados, Mato Grosso, líder nacional na produção de grãos, oleaginosas e pecuária, liderou os pedidos de recuperação judicial, com 135 registros. Em seguida, figuraram Goiás (73), Paraná (50) e Mato Grosso do Sul (38), todos importantes polos agrícolas.
No recorte por atividade, o cultivo de soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, concentrou o maior número de solicitações (137). A criação de bovinos veio em segundo lugar, com 42 pedidos.
A análise por perfil de produtor revelou que os pedidos de recuperação judicial de pessoas jurídicas deram um salto de 73,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, atingindo 196 solicitações. Esse foi o maior crescimento anual entre os três perfis analisados. Já os produtores sem propriedades em pessoa física, que podem incluir arrendatários, somaram 60 pedidos.
No segmento de pessoas físicas, os pequenos proprietários registraram 44 solicitações, os grandes 41 e os médios 37, totalizando 182 pedidos. Esse número representa uma redução de 6,7% em comparação com o mesmo período de 2025, contrastando com o forte aumento das pessoas jurídicas.
Os desafios enfrentados pelo agronegócio, refletidos nesses dados da Serasa, são fatores cruciais que podem impactar os resultados e a performance de grandes financiadores do setor, como o Banco do Brasil (BBAS3), cujas ações e expectativas de desempenho no segundo trimestre de 2026 já estão sob o radar do mercado.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/banco-do-brasil-bbas3-em-alerta-pedidos-de-recuperacao-judicial-no-agronegocio-saltam-22-aponta-serasa-igdl/



