Amma Reitera Urgência na Retirada de Árvores Condenadas no Lago das Rosas e Envia Novo Relatório ao MPGO

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A Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) de Goiânia encaminhará, nesta sexta-feira (23), um novo relatório técnico ao Ministério Público de Goiás (MPGO) e à Justiça, reiterando a necessidade premente de remover árvores em risco no Parque Lago das Rosas. A iniciativa ganha urgência após a queda de um exemplar doente durante uma tempestade na última quarta-feira (21), cuja supressão havia sido previamente barrada pelo próprio MPGO.

O documento, preparado em regime de urgência, conforme confirmado pela bióloga e analista ambiental da Amma, Wanessa de Castro, que assina o relatório, visa alertar para o iminente risco de novos acidentes com a chegada de fortes chuvas e ventos. Em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás, a especialista afirmou: “O relatório já está pronto, nós vamos encaminhar hoje, tanto para o MPGO quanto para a Justiça, relatando e reforçando, mais uma vez, a necessidade desse manejo antes que as chuvas com ventos fortes cheguem e ocorram mais acidentes, porque do lado daquela árvore que caiu tem mais três que estão condenadas que vão cair também”.

A agência ambiental manifesta a expectativa de que os órgãos judiciais autorizem a remoção, que deveria ocorrer de forma emergencial e imediata. Wanessa de Castro enfatiza o perigo à população, dada a grande circulação de pessoas na área devido à proximidade do Zoológico, do próprio parque e de hospitais. “A nossa intenção é preservar a vida das pessoas. Estamos confiantes, e assim que for liberado nós vamos retomar de imediato o manejo”, reforçou.

Apesar de a Amma possuir a atribuição legal para realizar tais remoções e substituições, uma medida cautelar emitida em uma ação judicial movida contra o Município e a própria agência barrou a intervenção no Lago das Rosas. “Já temos atribuição para fazer isso, por lei, inclusive. Só que, no caso do Lago das Rosas, houve uma medida, ajuizaram uma ação, e dentro dessa ação foi emitida uma medida cautelar proibindo o manejo dessas árvores”, explicou Wanessa.

O Parque Lago das Rosas, atualmente em processo de revitalização, demandou uma análise florística detalhada pela Amma. Após uma reforma anterior entre 2008 e 2010, que incluiu a remoção de várias árvores, a nova avaliação identificou mais de 40 exemplares condenados que necessitam de substituição ou supressão, por representarem risco.

Essas análises são conduzidas periodicamente por uma equipe de especialistas, composta por biólogos, agrônomos e engenheiros florestais com vasta experiência. A função da agência é justamente definir os manejos arbóreos em conformidade com o Plano Diretor de Arborização Urbana. “No momento da vistoria, é verificado todo o sistema da árvore, em questão de patologia, se ela tem fungos, se ela tem uma brocas, se ela está infestada por cupins. Desde o sistema radicular dela, que são as raízes, até a copa, tudo é verificado nessas análises técnicas”, detalhou a analista.

Em nota enviada ao Diário de Goiás, o MPGO justificou sua posição, afirmando que as liminares autorizaram a continuidade das obras de revitalização e a realização de podas “estritamente necessárias à segurança”, mas vetaram a supressão definitiva de árvores. O Ministério Público condicionou a remoção à apresentação de “laudos individualizados e acessíveis” que demonstrassem a necessidade de cada intervenção e a “inexistência de alternativa técnica menos gravosa”.

Wanessa de Castro, no entanto, argumenta que o relatório inicial da Amma já continha laudos individualizados para cada exemplar. “O relatório individualizado foi elaborado, cada árvore foi listada, o que ela precisa, qual é o estado fitossanitário dela. Se ela está doente, se ela foi tratada com um ataque de cupim, se ela tá ocada. Esse relatório individualizado foi apresentado e foi assinado por todos os analistas da arborização. Então, foi uma decisão consensual”, defendeu. A agência mantém o parecer pela necessidade de substituição e aguarda a revogação da medida judicial para retomar o manejo antes do período chuvoso.

As análises e relatórios da Amma seguem normas técnicas de classificação de risco. Para árvores classificadas em grau de risco 3, que indica estado fitossanitário inadequado e risco de queda, a supressão é apontada como a única medida viável.

O incidente da última quarta-feira serve como exemplo do perigo iminente. A queda da árvore, já identificada como doente no parecer técnico, causou danos à fiação elétrica, a um poste e à estrutura de um bar. “Se tivesse alguém se abrigando ali, poderia ter sofrido acidente”, alertou Wanessa. Ela reitera que a supressão não acarreta prejuízos ambientais, pois a substituição é feita por “uma árvore com porte grande já, que vai ter um desenvolvimento rápido e que, com o tempo, ela já vai estar fornecendo seus benefícios ambientais”.

A presidente da Amma, Zilma Peixoto, também manifestou sua preocupação com a situação, qualificando o acidente como “um mal que poderia ter sido evitado”. Ela criticou a “morosidade” da Justiça, que ainda não julgou o processo, e afirmou que os técnicos da Amma já haviam atestado o comprometimento fitossanitário da árvore.

Em relação à árvore que caiu, o MPGO informou que a “identificação oficial do exemplar e a análise de suas condições e dos registros técnicos existentes são necessárias para esclarecer as circunstâncias do ocorrido e subsidiar eventual manifestação deste órgão ministerial”.

Fonte original: https://diariodegoias.com.br/amma-enviara-novo-relatorio-tecnico-ao-mpgo-reforcando-retirada-de-arvores-condenadas-no-lago-das-rosas/551982/