Ata do Fed sinaliza cautela com inflação, mas ING vê juros estáveis até 2027

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As minutas da última reunião do Federal Reserve, referentes a julho, revelaram uma intensificação das preocupações do banco central americano com os persistentes riscos inflacionários. Apesar de um tom considerado mais “hawkish”, ou seja, favorável a juros mais altos, essa sinalização não é vista como um catalisador para um aumento imediato das taxas, na avaliação de James Knightley, economista-chefe internacional do ING, que projeta a manutenção dos juros estáveis por um longo período.

O documento confirmou a existência de uma corrente mais restritiva dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Três de seus membros – Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari – votaram explicitamente por um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa básica já em julho. A ata ainda indicou que alguns participantes defendiam a elevação dos juros e consideram que futuras altas podem ser necessárias caso a inflação não demonstre uma desaceleração contínua. Contudo, a maioria dos dirigentes preferiu adotar uma postura de espera, buscando mais evidências antes de endossar um novo aperto monetário, mantendo a faixa atual entre 3,50% e 3,75%.

Para Knightley, o cerne da questão reside no timing da ata. Ele ressalta que as opiniões ali expressas foram formadas *antes* da divulgação de uma série de indicadores econômicos mais recentes que apontam para uma perda de fôlego da economia dos EUA. “Devemos lembrar que a ata reflete opiniões formadas antes da última rodada de números fracos de emprego, leituras benignas de inflação e dados decepcionantes de vendas no varejo e confiança do consumidor”, explicou o economista em seu relatório.

Ainda que as minutas reforcem a preocupação com os riscos de preços, Knightley sublinha que a composição atual do comitê votante do Fed pende para uma postura mais prudente em relação a novas elevações. Ele destaca que, apesar de as projeções de junho do próprio Fed mostrarem uma divisão sobre os próximos passos da política monetária, muitos dos dirigentes que ainda antecipam aumentos de juros não são membros votantes neste ano. Segundo o economista, dos nove que veem a necessidade de mais altas, poucos seriam membros votantes nos próximos ciclos, sendo que os três que votaram por alta em julho são uma das exceções.

Para que uma elevação efetiva das taxas ocorresse, seria preciso convencer a maioria dos integrantes que atualmente não veem a necessidade de um aperto monetário. Na prática, isso exigiria uma conjunção de inflação mais elevada e um mercado de trabalho fortalecido, cenário que não se alinha às projeções do ING para o futuro próximo.

Apesar de a ata mencionar riscos inflacionários potenciais, como os ligados ao conflito no Oriente Médio e aos investimentos em inteligência artificial, Knightley contrapõe que as tendências econômicas mais recentes apontam em direção oposta. O banco destaca a desaceleração da inflação, o enfraquecimento do mercado de trabalho e sinais de menor dinamismo no consumo como fatores que diminuem a pressão por novas elevações de juros.

Diante desse panorama, o ING mantém sua convicção de que o Federal Reserve deverá preservar os juros inalterados por um período prolongado. “Nossa visão continua sendo de que o Fed manterá as taxas de juros estáveis bem dentro de 2027”, concluiu Knightley.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/ata-do-fed-tem-tom-duro-mas-cenario-ainda-nao-justifica-alta-de-juros-diz-ing/