O adiamento dos projetos de concessão para hidrovias na região Norte do Brasil pode resultar na sobrecarga das rodovias nacionais com até 22 mil caminhões adicionais por ano, em um cenário de máxima adversidade, segundo análise do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). A interrupção desses investimentos estruturais é vista como um fator que intensifica a pressão sobre a infraestrutura viária e compromete a integração logística multimodal do país.
A entidade aponta que a ausência de dragagem de manutenção nas vias navegáveis é um dos principais motivos que podem forçar o desvio do escoamento de cargas para o transporte rodoviário. Carlos Orlando, diretor de downstream do IBP, ressaltou que, na hipótese mais crítica, os mais de 20 mil veículos pesados circulariam por estradas já desafiadoras, agravando problemas existentes.
A paralisação do transporte de cargas no Rio Tapajós é uma das preocupações centrais do instituto devido à falta de concessão dessas vias. Anualmente, o Tapajós movimenta cerca de 1,36 milhão de metros cúbicos de combustíveis, vitais para 17 municípios nos estados do Pará e Mato Grosso, que juntos abrigam uma população estimada em 7,5 milhões de pessoas.
Os impactos dessa situação vão muito além do transporte de grãos, estendendo-se diretamente ao abastecimento regional. A hidrovia do Tapajós é fundamental para o escoamento de combustíveis, alimentos, medicamentos e outros insumos essenciais, funcionando também como uma alternativa estratégica ao transporte rodoviário de longa distância.
Conforme a avaliação do IBP, a diminuição da navegabilidade pode elevar significativamente os custos de distribuição de combustíveis, ao mesmo tempo em que aumenta a demanda e a pressão sobre os portos e as rodovias das regiões Sul e Sudeste. O instituto enfatiza a necessidade premente de investimentos contínuos em dragagem e manutenção, visando garantir a previsibilidade logística e a segurança no abastecimento, especialmente diante da crescente incidência de eventos climáticos extremos e períodos de seca.
A importância da hidrovia se estende também à logística de biocombustíveis. Carla Imbroisi, gerente de refino, suprimento e logística do IBP, destacou que o fluxo de cargas no Tapajós abrange tanto derivados de petróleo quanto biocombustíveis, que são encaminhados para bases de distribuição onde são realizadas as misturas obrigatórias.
A interrupção ou restrição da navegação no Rio Tapajós, segundo o IBP, acarretaria um aumento nos custos de transporte e poderia impactar seriamente o abastecimento de importantes mercados como Manaus, Macapá, Itacoatiara e Santarém, além de diversas localidades no sudoeste do Pará e no norte do Mato Grosso.
Fonte original: https://www.canalrural.com.br/economia/adiamento-de-concessao-de-hidrovias-no-norte-pode-levar-22-mil-caminhoes-por-ano-as-rodovias/



