A B3 (B3SA3), operadora da bolsa de valores brasileira, emergiu como um dos destaques nas recomendações de ações pagadoras de dividendos para o mês de outubro, conforme levantamento de dez casas de investimento. A inclusão da companhia em quatro carteiras – duas delas neste mês – reflete as expectativas do mercado em relação à volatilidade pós-eleições e à perspectiva de queda das taxas de juros, que podem impulsionar o volume de negociações e a retomada do mercado de capitais.
O otimismo em torno da B3 ganhou fôlego após o primeiro turno das eleições presidenciais, cujo resultado surpreendeu a maior parte das pesquisas, com Flávio Bolsonaro (PL) obtendo 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula (PT). Esse cenário levou especialistas a projetarem uma valorização da bolsa, do real e uma redução dos juros, especialmente nos vencimentos mais longos, até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
No topo do ranking das recomendações de dividendos, Petrobras (PETR4), Allos (ALOS3) e Itaú Unibanco (ITUB4) dividem a liderança, cada uma com seis indicações. Embora os seis papéis mais recomendados de setembro tenham permanecido na lista, houve uma redistribuição de indicações, com a Petrobras perdendo sua liderança isolada e a Axia (AXIA3) registrando uma leve queda.
A Petrobras (PETR4) continua sendo um nome forte, com analistas ressaltando o crescimento da produção no pré-sal, as margens de refino favoráveis impulsionadas pelos preços do petróleo e a robusta capacidade de geração de caixa. Casas como XP e Santander elevaram suas estimativas e recomendações, com projeções de dividend yield girando em torno de 11%.
Para a Allos (ALOS3), administradora de shoppings, os bons resultados do segundo trimestre, baixa inadimplência e a distribuição mensal de proventos são pontos-chave. A parceria com a Kinea para um fundo imobiliário é vista como potencial geradora de novas receitas, consolidando-a como uma tese defensiva no setor imobiliário, mesmo diante de juros elevados.
O Itaú Unibanco (ITUB4) se mantém como preferência no setor financeiro, elogiado pela qualidade de seus ativos, gestão de risco prudente e posicionamento resiliente frente a qualquer resultado eleitoral. Apesar de um crescimento de receita mais contido no curto prazo, a postura conservadora é vista como preparatória para um futuro ciclo de crédito mais desafiador.
A Axia (AXIA3), embora tenha visto uma leve redução nas indicações, segue com uma visão positiva, amparada por programas de recompra de ações, perspectivas favoráveis para os preços de energia e desalavancagem. Contudo, algumas casas optaram por rotacionar seus investimentos, direcionando-se para a B3 em busca de maior exposição à recuperação do mercado de capitais.
A Copel (CPLE3) atraiu atenção com o Ebitda ajustado do segundo trimestre superando as expectativas, impulsionado pela distribuição de energia. Sua avaliação de mercado, exposição ao segmento de transmissão e a expectativa de uma reestruturação societária favorável são aspectos positivos, embora riscos associados a restrições de geração em parques eólicos sejam observados.
A Vale (VALE3) enfrentou preocupações com o impacto do frete nos balanços futuros e uma redução de peso em algumas carteiras. No entanto, sua disciplina na alocação de capital e a crescente diversificação para além do minério de ferro, com foco em cobre, mantêm uma perspectiva construtiva de longo prazo para as casas que a mantêm em suas recomendações.
Por fim, a própria B3 (B3SA3) foi incluída nas carteiras do BTG Pactual e Itaú BBA e teve seu peso aumentado na XP. Analistas destacam a alta qualidade da companhia e sua forte alavancagem operacional, evidenciada pelo crescimento de 21% no volume médio diário de ações e 17% nas receitas recorrentes no segundo trimestre. A expectativa é que juros mais baixos e a volatilidade do período eleitoral continuem a impulsionar volumes e lucros, sustentando a remuneração aos acionistas, com projeções de dividend yield para 2027 variando entre 6% e 8%.
Fonte original: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/efeito-eleicao-leva-b3-a-ranking-de-melhores-acoes-de-dividendos-veja-lista/



