Banco Central prega cautela em cortes da Selic e minimiza risco cambial

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O Banco Central (BC) manterá uma abordagem prudente nos próximos ajustes da taxa Selic, enquanto minimiza a probabilidade de grandes oscilações no câmbio, mesmo com a diminuição da diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos. A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira pelo diretor de Política Monetária da instituição, Nilton David, durante um evento promovido pelo J. Safra, em São Paulo.

David explicou que, em períodos de maior incerteza econômica, a condução da política monetária exige movimentos graduais, visando atenuar impactos abruptos nos mercados e na atividade. Ele caracterizou o atual processo como uma “calibração” ou um “ajuste fino”, e não como uma flexibilização monetária propriamente dita, uma vez que as taxas de juros no Brasil persistem em patamar restritivo. Esta declaração sucede a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que há uma semana reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, prosseguindo um ciclo de cortes iniciado em março.

Quanto ao câmbio, o diretor descartou a expectativa de “grandes solavancos”, apesar da convergência entre as taxas de juros no Brasil e nos EUA. Tradicionalmente, a redução do diferencial de juros pode diminuir a atratividade de ativos brasileiros para investidores que buscam o chamado “carry trade”, potencialmente gerando saída de capital e valorização do dólar. O Federal Reserve (Fed) norte-americano, por exemplo, elevou seus juros neste mês, enquanto o BC brasileiro os reduz.

No entanto, David argumentou que a atual conjuntura da política monetária brasileira – que demanda juros mais elevados do que no passado devido à desancoragem das expectativas de inflação – torna o real menos suscetível a essas pressões cambiais do que em momentos anteriores.

Essa análise reforça a percepção de que, mesmo após os cortes recentes, o Banco Central considera a política monetária ainda em terreno restritivo e planeja avançar de forma gradual e cautelosa em suas próximas decisões.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/bc-prega-cautela-nos-cortes-da-selic-e-nao-ve-grandes-solavancos-no-cambio-jcav/