Obras do BRT em Goiânia: Reinício Exige Retirada de 291 Árvores e Levanta Questões Ambientais

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Prefeitura autoriza retomada do trecho entre Terminal Isidória e Terminal Cruzeiro, impactando vegetação local.

As obras do BRT Norte-Sul, um dos projetos mais aguardados para a mobilidade em Goiânia e Aparecida de Goiânia, serão retomadas oficialmente nesta terça-feira (14). No entanto, o avanço do novo trecho, que ligará o Terminal Isidória ao Terminal Cruzeiro, vem com uma contrapartida ambiental significativa: a previsão de remoção de 291 árvores ao longo do percurso.

O que aconteceu

O anúncio da retomada será feito pelo prefeito Sandro Mabel e outras autoridades, marcando o início da construção entre o Terminal Isidória, no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia, e o Terminal Cruzeiro, no Setor Brasília, em Aparecida de Goiânia. Para viabilizar a implantação dessa nova etapa e a conclusão da Estação 5, na 4ª Radial, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e a Coordenação do BRT Norte-Sul protocolaram um laudo ambiental na Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). O documento, revelado pelo jornal O Popular, solicita a autorização para a retirada de quase trezentas árvores, muitas das quais, segundo a pasta, podem ser transplantadas para outras áreas.

Entenda o caso

O laudo técnico encaminhado à Amma detalha que a remoção das árvores é considerada “indispensável” para a continuidade do projeto, pois os exemplares “apresentam conflitos com o traçado” do BRT. As áreas mais afetadas incluem o canteiro central das avenidas 4ª Radial e Rio Verde. Entre as 21 espécies identificadas no estudo, destacam-se 109 oitis, 59 palmeiras e 39 mangueiras. A superintendente de Obras e Serviços Públicos da Seinfra, Flávia Ribeiro Dias, afirmou que haverá compensação ambiental e que a prioridade da administração é evitar cortes desnecessários, buscando adequar o projeto sempre que possível. Segundo ela, a prática de transplante, como já ocorreu na Praça Ciro Lisita, será considerada. Historicamente, desde 2015, levantamento do mesmo jornal mostrou que as obras do BRT já resultaram na remoção de 141 árvores e 156 palmeiras na Avenida 4ª Radial, além de 160 árvores e 28 palmeiras na Avenida Rio Verde.

Impacto para a população

Para os moradores de Goiânia e Aparecida, a retomada do BRT significa um passo importante para desafogar o trânsito e modernizar o transporte coletivo. O projeto promete reduzir o tempo de deslocamento, aumentar a segurança dos usuários e melhorar a acessibilidade, além de contribuir para a sustentabilidade ambiental do sistema de transportes urbanos, conforme justificativa técnica. O novo trecho contempla a implantação do corredor exclusivo, novas estações, requalificação das vias e melhorias na paisagem urbana. No entanto, a remoção de centenas de árvores gera preocupação ambiental. Embora a prefeitura garanta medidas mitigadoras, como vistorias para proteger a fauna e a destinação correta dos resíduos vegetais, e o estudo classifique a supressão como “medida excepcional” com “relevante interesse público”, o processo de análise de transplante pela Comurg ainda não tem prazo para ser concluído, deixando em aberto o destino final de parte dessa vegetação.

A população agora aguarda os próximos passos da Amma e da Comurg para entender como o equilíbrio entre o avanço da infraestrutura e a preservação ambiental será gerenciado nesse que é um dos maiores desafios urbanos da Região Metropolitana de Goiânia.

Fonte: https://diariodegoias.com.br