A Câmara dos Deputados deu um passo significativo para coibir os abusos no mercado de combustíveis ao aprovar, nesta semana, um projeto de lei que criminaliza o aumento de preços sem justificativa. Quem for pego elevando os valores da gasolina, diesel ou etanol de forma artificial pode enfrentar a prisão, uma medida que mira diretamente o bolso do consumidor brasileiro.
O texto aprovado estabelece penas de dois a quatro anos de reclusão para quem elevar o preço dos combustíveis sem fundamentos econômicos claros e verificáveis. A proposta, que agora segue para o Senado, busca dar mais segurança e transparência ao setor, protegendo a população de flutuações desproporcionais.
O que o projeto prevê
O projeto é um substitutivo, relatado pelo deputado Merlong Solano (PT-PI), e modifica a proposta original do governo federal para enquadrar a prática como crime contra a ordem econômica. A ideia é deixar claro que aumentos não baseados em custos reais – como produção, importação, distribuição, tributos e logística – serão considerados ilegais.
A pena prevista, de dois a quatro anos de prisão, pode ser ainda maior em situações específicas. O texto prevê um acréscimo de um terço até a metade da pena se o aumento abusivo ocorrer em cenários de calamidade pública ou crise de abastecimento. A punição também é agravada se a prática for cometida por uma empresa que domina o mercado, buscando evitar monopólios predatórios.
Uma alteração importante feita pelo relator foi a retirada da expressão “instabilidade relevante do mercado fornecedor” do texto. Isso significa que a lei se concentrará em aumentos sem justificativa econômica clara, e não em flutuações causadas por eventos externos mais amplos que afetam o mercado global de forma legítima, como conflitos internacionais.
Impacto para o consumidor e a economia
Para o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, a elevação injustificada de preços de combustíveis causa um “dano social” imenso. Ele destacou que o custo do combustível impacta diretamente toda a cadeia produtiva, desde o transporte de alimentos até a prestação de serviços, refletindo-se no custo de vida de milhões de pessoas.
A medida é vista como uma forma de proteger o poder de compra da população e garantir um ambiente de negócios mais justo, onde a concorrência seja leal e os preços reflitam a realidade do mercado. Em estados como Goiás, onde o agronegócio e o transporte rodoviário têm um peso enorme na economia, a estabilidade dos preços de combustíveis é ainda mais sensível e estratégica para o desenvolvimento regional.
Próximos passos
Depois de passar pela Câmara, o projeto agora segue para análise e votação no Senado Federal. Se aprovado pelos senadores, a proposta será enviada para a sanção do Presidente da República, que terá a palavra final para transformá-la em lei. A expectativa é que o processo seja célere, dada a urgência e o impacto da medida para o cotidiano dos brasileiros.



