A Cogna (COGN3) está intensificando sua presença nos cursos de enfermagem, um movimento impulsionado por um novo marco regulatório do ensino a distância (EAD), que a XP Investimentos considera um pilar estratégico crucial para a educacional. Embora a corretora projete um impacto financeiro limitado no curto prazo, ela ressalta a posição dominante da Cogna no segmento e um potencial de receita incremental significativo a partir de 2026.
A XP estima que a retomada e expansão da oferta de cursos de enfermagem pode gerar uma receita adicional de até R$ 24 milhões no segundo semestre de 2026, o que equivaleria a aproximadamente 1% da receita do ensino superior da companhia. Atualmente, a Cogna detém cerca de 43% da presença mapeada em 391 localidades aptas para captação de alunos no setor privado e já recebeu autorização para operar 113 polos.
O relatório da corretora destaca que o novo marco regulatório está redesenhando o mercado de enfermagem, com uma migração progressiva do curso para o formato presencial ou híbrido, mesmo antes de sua plena implementação, prevista para 2027. Este cenário tende a favorecer empresas com uma robusta estrutura física e capacidade de adaptação.
A educacional já iniciou turmas em aproximadamente metade dos polos autorizados durante o primeiro ciclo de captação de inverno deste ano, com um ticket médio mensal dos cursos girando em torno de R$ 700. Contudo, a XP avalia o momento atual como uma “fase de testes” para a Cogna, utilizando-o para aferir a demanda e a elasticidade de preços em diferentes regiões. A expectativa é que a captação inicial não traga resultados financeiros “particularmente relevantes” no curto prazo, com o ciclo de matrículas mais expressivo projetado para 2027.
Apesar da cautela quanto aos ganhos imediatos, a XP mantém uma recomendação de compra para as ações da Cogna, com um preço-alvo de R$ 3,50, indicando um potencial de valorização de 59%. Por volta das 12h44 (horário de Brasília), as ações COGN3 registravam alta de 0,45%, sendo negociadas a R$ 2,21.
A corretora também salienta que o processo acelerado de autorizações não é o único definidor do cenário competitivo da enfermagem. Instituições que já ofereciam cursos presenciais continuam a captar alunos normalmente, sem depender das novas licenças.
Excluindo a Cogna, a XP identificou 223 localidades em operação, com Yduqs (YDUQ3), Ser Educacional (SEER3) e Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3) figurando entre os principais concorrentes. A Vitru (VTRU3), por exemplo, obteve aprovação para 36 polos por meio do processo acelerado, mas a captação nesses locais só deve começar no primeiro semestre de 2027, período considerado crucial para matrículas. A XP projeta impactos financeiros modestos para a Vitru no curto prazo devido à transição regulatória, estimando que a suspensão da captação em Enfermagem represente cerca de 0,9% da receita de 2026.
A Yduqs, por sua vez, não se qualificou para o processo acelerado de enfermagem, em parte por ter ingressado no segmento híbrido mais recentemente, no segundo semestre de 2024. Este fator resultou em uma receita não realizada de R$ 50 milhões em 2026, equivalente a 1% da receita. No entanto, a Yduqs permanece ativa no mercado, captando alunos para os cursos de enfermagem por meio de sua estrutura presencial existente, que abrange 90 localidades, e busca expandir sua presença física com modelos de campi mais enxutos.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/cogna-cogn3-xp-ve-curso-de-enfermagem-como-um-combustivel-para-ganhos-da-educacional-apsa/



