O volume de negócios entre Brasil e Estados Unidos ligou o sinal de alerta e encolheu de forma significativa nos primeiros cinco meses de 2026. Segundo dados divulgados pela Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), a troca comercial entre os dois países somou US$ 29,5 bilhões, uma queda brusca de 14,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O recuo é um baque para diversos setores e preocupa, em especial, produtores goianos e do Centro-Oeste.
A retração atingiu em cheio as exportações brasileiras para o mercado americano, que caíram 16%, totalizando US$ 14 bilhões. As importações também sentiram o golpe, com uma redução de 12,6%, chegando a US$ 15,5 bilhões. Para se ter uma ideia do cenário, enquanto o comércio com os EUA caía, as exportações brasileiras como um todo cresceram 8,7% no mesmo intervalo, mostrando que o problema é específico na relação com a potência norte-americana.
Déficit e o fantasma das novas tarifas
Com essa queda, o Brasil viu seu déficit na balança comercial com os Estados Unidos disparar 43,3%, alcançando a marca de US$ 1,5 bilhão. A situação é ainda mais delicada para produtos brasileiros que já estão sob investigação comercial dos EUA, os chamados itens sujeitos a sobretaxas adicionais. Para esses produtos, a retração foi ainda maior, de 22,6%.
As negociações e relatórios do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apontam para um risco real: caso as medidas propostas sejam confirmadas, alguns produtos do Brasil podem enfrentar tarifas extras de até 37,5%. Isso poderia impactar diretamente a competitividade de exportadores goianos e brasileiros, que teriam seus custos aumentados e perderiam espaço para outros fornecedores globais.
Setores mais atingidos e o impacto em Goiás
Entre os produtos brasileiros que mais viram suas exportações para os EUA caírem estão o petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. No campo, a retração na venda de café e celulose mostra uma desaceleração em uma pauta que é vital para o agronegócio e a base florestal do país – setores com forte presença e impacto na economia de Goiás e de todo o Centro-Oeste.
Se as tarifas se confirmarem, produtores rurais goianos e indústrias que dependem desses mercados podem sentir no bolso, com menos oportunidades de venda e faturamento. Do lado das importações, as maiores quedas foram em motores e máquinas, aeronaves e partes, e óleos brutos de petróleo, o que pode refletir um menor investimento ou demanda interna em alguns setores.
A necessidade de diálogo para reverter o quadro
A sequência de maus resultados é preocupante: as exportações para os EUA caíram pelo décimo mês consecutivo em maio, e as importações registraram o sexto mês seguido de retração. Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, os números reforçam a urgência de negociações para evitar a imposição de novas tarifas e criar um ambiente favorável para que o comércio entre os dois países volte a crescer.
O futuro do comércio bilateral ainda é incerto e dependerá do desfecho das investigações dos EUA e do andamento das conversas entre as nações. Até o momento, a Amcham Brasil não detalhou quais produtos brasileiros poderiam ser afetados pela tarifa adicional de até 37,5%, mantendo exportadores e a cadeia produtiva em alerta.



