A intensificação dos ataques a portos e navios no Mar Negro e no Mar de Azov levou à paralisação de mais de 97% da capacidade de exportação de grãos da Rússia e da Ucrânia. A drástica interrupção, que afeta dois dos maiores exportadores mundiais, está impactando o abastecimento global, forçando nações importadoras na África, Oriente Médio e Ásia a buscar suprimentos em mercados mais caros e provocando uma alta nos preços de commodities essenciais.
Cálculos da agência Reuters, baseados em dados oficiais e estimativas de analistas, revelam que a capacidade de exportação de grãos de ambos os países na região foi praticamente zerada em comparação com a safra anterior. Juntos, Rússia e Ucrânia eram responsáveis pela movimentação de uma média mensal de 7,2 milhões de toneladas métricas de grãos por meio de seus terminais nas águas estratégicas do Mar de Azov e do Mar Negro.
Atualmente, os terminais ucranianos no Mar Negro não registram embarques. O complexo portuário de Odessa, por exemplo, suspendeu suas operações no final de julho, e nenhuma nova escala de navios foi observada até meados de agosto. Para contornar o bloqueio marítimo, a Ucrânia tem dependido de conexões ferroviárias com a Europa Oriental e portos fluviais do Danúbio, cada um contribuindo com cerca de 45% dos embarques, com os 10% restantes transportados por rodovia. O ministro da Agricultura ucraniano projeta que o país poderá atingir cerca de 50% de seu potencial de exportação se os portos permanecerem bloqueados.
A Rússia também enfrenta severas restrições. Após ataques com drones, grandes terminais de grãos como Novorossiysk (incluindo NZT e NKHP), KSK e Taman tiveram suas operações interrompidas. A única instalação russa que, segundo autoridades e fontes do setor, ainda opera é uma pequena unidade em Tuapse, com capacidade limitada a aproximadamente 160 mil toneladas por mês. Analistas da Rusagrotrans estimam que as exportações de trigo russas em agosto atingirão apenas 1,8 milhão de toneladas, o volume mais baixo para o mês desde 2010.
A paralisação do transporte civil no Mar Negro tem impulsionado os preços globais. O trigo, por exemplo, registrou um aumento de cerca de 6,5% neste mês, acumulando uma alta de aproximadamente 30% em relação ao ano anterior. Yevgeny Karabanov, chefe do comitê analítico da União de Grãos do Cazaquistão, ressaltou que “o transporte civil no Mar Negro está praticamente paralisado”. Embora grandes estoques e safras mais abundantes tenham permitido que importadores adiassem compras, a pressão para garantir o abastecimento cresce diante da ausência de sinais de desescalada na região.
A Rússia poderá tentar redirecionar parte de suas exportações por portos do Báltico, Cáspio e Extremo Oriente. No entanto, essas rotas alternativas implicam maiores distâncias de transporte, desafios logísticos e, consequentemente, elevação de custos para os compradores.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/exportacoes-de-graos-da-russia-e-ucrania-pelo-mar-negro-praticamente-param-pads/



