A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) registrou uma notável valorização de 12,41% no pregão desta sexta-feira (23), liderando os ganhos do Ibovespa e destoando da recente tendência de baixa. A performance surpreendente dos papéis é atribuída principalmente ao avanço nas negociações para a venda de sua unidade de cimentos e à crescente especulação do mercado em torno do cenário eleitoral que antecede o segundo turno.
Fontes do mercado apontam que o otimismo reflete as discussões em andamento para o desinvestimento da CSN Cimentos. Embora as negociações não sejam exclusivas, grandes players do setor, como a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela brasileira Votorantim e a italiana Cementir, figuram entre os principais interessados. A expectativa de valor da transação, segundo reportagem do jornal Valor Econômico, aproxima-se dos R$ 15 bilhões, montante desejado pelo ex-CEO Benjamin Steinbruch, superando as estimativas anteriores que indicavam valores entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões.
Para especialistas, a concretização da venda é crucial para a saúde financeira da CSN. Gustavo Bertotti, economista e head de renda variável da Fami Capital, ressalta que qualquer desinvestimento em um contexto de elevado endividamento é sempre percebido positivamente pelos investidores. Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, corrobora essa visão, destacando que o montante esperado com a venda da unidade de cimentos equivale a cerca de 36% da dívida líquida da companhia, que soma R$ 42 bilhões. Essa estratégia de desinvestimento já havia sido evidenciada com a venda de um ativo alemão por 550 milhões de euros, visando a recuperação do valor das ações e a redução de passivos.
Bertotti adiciona que o setor siderúrgico em geral enfrenta desafios significativos, com a demanda enfraquecida do mercado chinês e quedas consecutivas nos preços do minério de ferro, impactando não apenas gigantes como a Vale, mas todo o segmento, especialmente empresas com fundamentos mais vulneráveis como a CSN e Usiminas. O custo elevado do frete, com o barril do petróleo Brent rondando os US$ 116, também permanece como uma preocupação constante no radar dos investidores.
Paralelamente às movimentações corporativas, o cenário político pré-segundo turno das eleições também contribuiu para a guinada otimista. Gustavo Bertotti observa que o mercado tem adotado uma postura de maior risco diante de uma possível vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), com um levantamento da Veritá mostrando-o com 51,3% dos votos válidos, em oposição aos 48,7% atribuídos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lemos, da Fatorial Investimentos, compartilha da análise, sugerindo que uma eventual alternância de poder poderia ser vista como favorável para a alavancagem da empresa, vislumbrando um ambiente de juros potencialmente mais baixos. Segundo ele, a alta do Ibovespa teria sido impulsionada logo após a divulgação do levantamento da Veritá.
Apesar do entusiasmo de curto prazo provocado por essas notícias, Lemos pondera que a sustentabilidade da valorização das ações da CSN no médio prazo dependerá de uma efetiva redução da dívida e de uma melhoria consistente na geração de caixa da companhia.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/csn-csna3-o-que-esteve-por-tras-do-salto-de-12-antes-do-2o-turno-das-eleicoes-apsa/



